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ELE VOLTARA LEONOR BAIXAR


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LEONOR ELE BAIXAR VOLTARA

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Leonor - Ele Voltará (Letras y canción para escuchar) - Por sobre as nuvens / Com glória e poder / Ele do céu aparecerá / Maravilhoso e tremendo vai ser / O. Por sobre as nuvens. Com glória e poder. Ele do céu aparecerá. Maravilhoso e tremendo vai ser. O dia em que Cristo voltar. E os Seus anjos Ele enviará. Ouvir, Baixar gratuitamente a música Ele Virá - Daniele Scalisa - Dependente. Confira também outros sucessos de Daniele Scalisa no minmatt.info Me ensina aTe adorar Senhor / Buscar a Tua face / Eu quero te render meu Pai / A adoraçao dos anjos / E vem purificar meu ser / Me lava em Tuas fontes / Me. Stream Leonor - Ele Voltará by FilhosUniversalEuropa from desktop or your mobile device.

Enquanto todas as outras tinham os corpos realçados pelos padrões de pintura corporal, a candidata de Aùkre tinha o seu corpo coberto de enfeites de miçanga. Muitos fotógrafos se amontoavam para conseguir o melhor quadro. Ali estavam os três: o prefeito de um lado, a miss ao centro e o sorridente cacique de Kikretum do outro lado. Permaneceram imóveis por mais de um minuto para saciar a vontade imagética dos cinegrafistas e fotógrafos. O mesmo ritual imagético foi repetido para as vencedoras do segundo e terceiro lugares.

Agora, mais três aldeias Krinu, Gorotire e Krenmajti foram convidadas a participar do evento, totalizando nove delegações e, consequentemente, nove candidatas a miss. Afinal, dois mil Kayapó iriam ocupar a cidade naquela semana do mês de abril. O movimento de turistas vindos para participar da festa se fazia presente nos poucos hotéis e lan houses da cidade. As diferentes mulheres kayapó que os desenvolveram criaram peças que combinassem entre si nos detalhes coloridos, formando combinações de cores próprias para cada uma das candidatas.

Assim, trajes predominantemente azuis se contrastavam com aqueles cujas cores sobressalentes e relacionadas eram o verde e o amarelo, ou o preto e branco, ou o vermelho e branco, ou simplesmente branco. Certos enfeites haviam chegado a formas tais que acompanhavam o molejar das candidatas no desfile.

Os longos brincos de miçanga, os também longos pingentes dos colares e as franjas das jarreteiras e dos cintos acompanhavam os movimentos corporais das candidatas, sacolejando no ar a cada pose para os jurados. A tradicional faixa raspada ao centro da cabeça dava lugar a uma distinta franja que lhe cobria parte da testa.

Além desse detalhe muito comentado negativamente, a candidata apresentava um caminhar diferenciado, um molejo de tal forma natural que se levantou suspeita sobre sua identidade étnica. Akjabôro disse as seguintes palavras:.

Foi eu que proibi o concurso da miss. Tem que respeitar meu povo. Estavam tirando foto e colocando em site de sacanagem. Fazendo brincadeira feia com a nossa imagem. Por isso, foi proibido. Três caciques queriam fazer. Eles tiveram que aceitar. Por isso, ela tem que aceitar. Por isso que ele fez isso. Para a nossa imagem ficar mejx kumrenx bonita e correta. Mas quais seriam os objetivos dessa performance dentro da performance?

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Eis o sentido da atitude iconoclasta de Akjabôro. Mas, agora, novas transformações ocorreram. Guerreiro Jr.

Antonio Ancestrais e suas sombras. Severi Carlo Le principe de la chimère. Native amazonians theory of personhood and materiality , The University of Arizona Press, Arizona, p. Existe, contudo, um filme sobre o concurso de beleza Miss Kayapó, realizado por cinegrafistas indígenas em parceria com pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi cf. Tu és, Deosa gentil da mocidade. S A deoia da Mocidade, esposa de Bercnles. O UB escato! De Fílinto e d'Âlbano os doces versos.

Quanto pôde a barmooia de tal canto! Parece que sensiveis estes troncos Fremem de gosto, e as folhas revolvendo O fresco orvalho entornam. Pasmai, que outro prodigio se descobre: Vede o aspecto Teroz do meu desgosto Menos medonho um dia. Nos ignotos segredos de meu peito, Onde sopra tristeza seu veneno, Descer yede, guiado das cantigas, O sua?

Vem sustentando o carro, e sombreando As pombas, e alvos cysnes. Oh magico poder d'estro brilhante! Oh lyra que commove as mesmas penhas! Que imagem bella a Paphia assim recordas Nos amezes Mavórcios! Nós vimos Mas que entoas, lyra frouxa? Mas tu voltas a vista saudoso? Ah sim, Filinto te magoa. J 1 partiria Albano? Vaidosas se embravecem? Quantas vezes aos mares, sem acordo, Pediste o caro amigo?

Aqui resôa o golpe que vibraram Sobre a forçosa amarra. Que adornam novos signos! Tu guardas um deposito que eu busco; Flores nfto sSo, somente relva humilde. Colhida DO escarpado e bipartido Santo monte dos Vates. Minhas pobres cantigas. Desce, numen propicio, linda Cypria, Teu gesto encantador serene os ares.

No carro deleitoso recostada, Brincando c'os amores: As leves beatilhas que revelem Das Cypriades gentis as lindas formas; A travessa Euphrosyna solte os risos Que os ceos e a terra alegram. Tu, semicapro Deos, de traz dos troncos, Co séquito caprino, apenas sintas Essências que esparzindo vSo amores, Palpita namorado. Faça invejas aos Numes minha sorte: Cypria, desce, ahl descança nestas Qores, Que borrifa da fonte a clara veia; Deixa os berços de Idalia. As Graças me respondam.

Retina do meu bem o doce nome, Faça calar no Valie as aves tristes; E em quanto rochas, montes o repetem.

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Cresça nova harmonia. Se carrancuda a negra tempestade De Noto furioso o sopro manda, Nâo pereçam as flores testemunhas Dos meus temos amores. Assim sempre mais bella te retratem Novos Apelles, nesse doce instante Que das ondas surgiste, e a branca espuma Te molhava os cabellos. Correi, lagrimas tristes. Expliquem sem receio o que a alma sente. Tu, Cjnthiat cuja luz fraca e serena Parece que de Caria reflectira, Nao culpes o que indica a minha pena.

Um nio sei que de falso lhe presinto Naquella que fez meus. Consequências ataes de uma saudade I Que me tem a tal ponto reduzido. Que nem sei esperar felicidade! Depois da morte a yoz se eoncedeo; Ea saspiro como ella suspira? Depois de terminados os meus dias.

Neste Talle s'escutem meus gemidos. Interpretes das minhas agonias. Se da Parca depressa encontro o corte. Na morte contra vós tenho as vinganças. Pois nio podeis vencer-me além da morte.

Que a doce melodia dos meus versos Havia interromper um pranto amargo Que lavasse os escriptos meus diversos? Quem dissera que a lyra duro encargo Que as Musas me puzessem fosse ainda, E objecto de meu çhôro, tempo largo? Olhando com horror a antiga flamroa. Entre as mios consternada escondo o rosto. Que sobre o peito lagrimas derrama: Mas Amor, observando o meu desgosto.

Amor, que eu jâ detesto. Que de meus versos foi doce motivo. No seio deste Valle, em quanto eu vivo. Dizei-o vós. Que tendes sido o assumpto lastimoso Da triste e amorosa cantilena. Que respira no ramo de Lorena. S A irmft de Liíe. Sendo gentil pastor, estais madado, Perdida a côr do rosto delicado.

Quem era mais illustre e respeitado, Por sangue, por scienoía celebrado? Mas a todos fallava com doçura. Que infausta e negra nuvem, com espanto, Vos rouba a nossos olhos de repente? Só um peito de tigre fora duro. Queira o Ceo abrandar-se com gemidos. Que serto nossos votos repetidos; Sereis feliz. Pastor, se eile propicio Da nossa magoa acceita o sacrifido; Ainda tos veremos algum dia Goiar a santa, a casta companhia, Rodeado das filhas da Memoria, Que f os cinjam dos louros da?

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Talvez que o loiro Belio assim ordene Para tecer-te em branda lyra d ouro Uma c'roa mais bella que a do louro. Ahl se eu me aproveitara do que inspiram, Que elevados conceitos se me ouviram! Mas a turba de affectos que a alma cerca Faz que a voz de explicar-se a força perca.

Só te direi, Almeno, que no dia Que m'escreveste em branda poesia, Se abrandou de meus males a dureza. Deixei este lugar, onde a tristeza Tem comigo funesto domicilio, E fui ao campo ler o teu idyllio. Sentei-me ao pé de um tronco, que sobr' clle 1 Tinha enredado o filho de Semeie A planta que protege; doce abrigo Achei ; Mareia também, qoe era comigo. Que a amizade em meu peito as produzia. Por mais versos que faça, por melhores, Nfio cabem nos meus versos teus louvores; E a lyra, costumada nos pezares A atroar com gemidos estes ares, N'um tom afflicto a lamentar saudades.

Degredos, sem razSes, adversidades, Se deixa por um pouco o sen lamento, Nunca pôde, ao ferir o novo accento. Derramar uma voz tSo docemente. Vencedoras das filhas de Piero. No sítio acerbo, onde o silencio mora. Sem paz e sem conforto desfalleço: O prestigio das sombras que abraçamos Na dura lei d'ausencia reconheço, Lei que assas, cara Tirce, nio choramos. Lilia, Lilia fiel, que amor recèa.

A dor que hoje me rasga o peito afflicto É quem fere também a fraca lyra; E os frouxos sons, que terna te repito, Sio menos sons do que ais de quem suspira. Escutam-roe estas penhas animadas. Aqui a seva mSo do Fanatismo Serve as leis execrandas do meu fado; Aqui geme o legitimo heroismo, De uma falsa razfio atormentado. Amor, Tirce, nSo é qual o tu sentes. Doce clamor da sabia Natureza; É um rapaz que flechas traz pendentes, Filho da liberdade e da vileza.

Ou penso NSo os léasy oh Tirce, se magoam Tea cmraçio, delicia dos mortaes; Tomem ao valle agreste adonde soam. Ha três lustros completos os meus ais.

S Quime annos e mais de meio de desastres anDonciam uma Idade ayul- tada. FilintOy que? Que inda o Ceo por piedade me consente! Em meu peito, onde a simples natureza Erige o doce templo da ternura, Lança todos os damnos da tristeza, Qual Turia enorme, a seva desventura. Oh Ceos, que visto! Amor geme encostado no meu peito: E inda Yenus cobiça esta conquista?

Oiça o ruido De meus ferros pesados, meus clamores; Olhe o gesto do Fado desabrido; Ha de chorar, c o bando dos Amores. Nem Pergamo soberba se abatera. Que susto em mim derrama!. Quem sabe o mais que me reserva o Fadof Filhas s9o mais de entranhas generosas Que gemidos da dor que ellas padecem.

Cantar a crueldade em branda rima É mór honra fazer da que merecem Aos auctores do mal. Teu verso anima A mesma Turia qqe cruel lamenta. Que harmoniosa Nos beiços lhe soara a Poesia! Que meigo o Amor nas mftos lhe ficaria! Assovie co' a lingua sanguínosa. Raive até que arrebeote. Abra Alcípe a suave cantilena. A Silvio.

Ele Voltará

Submissa a teu preceito, ibi sopita: Com que passos Saturno em fim camiiiba! Agora teus dictames mais benignos Nilo se vestem de ascética arrogância ; Com versos, que de Apollo foram dignos, Mandas que eu cante, e aterras a ignorância. Iniciar a gente Portugueza Nos mysterios sublimes da Eleusina. Onde mora pacifica a Verdade. Quantas vezes feriram mens oivtdos Injurias contra os Vates mtis sagrados! Tu contra a inveja formas débil queixa : Ah Silvio! Como do Olympo os Deoses sio fingidos, Sem que oflenda a moral, que firme adoro, Finjo Dianas, Martes, e Cupidos, Fallo com elles, finjo que os imploro.

Nao soffre a nossa terra esta linguagem; Paiz onde se queimam feiticeiras Descobre o mal n'uma ionocente imagem, Como o demónio em casa Am primeiras. Agora que tudo dorme. Aprisionando entre flores Os corações delicados De mil captivos amores.

Que idéas ternas te inspiram l Quando o gosto da leitura Díminue brandamente O cargo da desventura! Nos discretos caracteres VSo teus olhos magoados Ora lendo o seu conforto.

Ora o decreto dos Fados. Se a' honra, que em teu peito brilhar vejo, â lUudida é que excita este deaejo, 1 Canço-me pouco em examinar se a mluba opioiSo fobre o faeto pe deo assumpto a esta epistola, é a melhor. Só digo nestas ultimas palarras.

Que o puuhal que em meu peito boje ta cravas. Outro, que a paz poasue impunemeute, Ferir podia, menos innoceote. Eu sei SerSo mais fracas da inoDceDcía as vozea Por serem as calumnias mais atrozes; Mas por ser mais enorme a tyrannia, A innocencia menor nunca seria. Meus beiços, de uma cor ailnrtecida. Onde apenas reside ainda a vida. Te rogam que procures no teu peito sem eitet phenomenos tristei com que geme a espécie humana.

Jurar que encerram uma alma delinquente? Declarar a sensivel natureza Que se injuria a santa singeleza? GeosI com que saudade Se me pinta a ditosa mocidade! Que hoje termino Cubrir de affronta os annos teus honrados? Quem tal pensara?.. Eu beijo a mio que o golpe me prepara : Gema o paterno amor, mas quando brilha A innocencia no peito desta filha.

A que oh Fado ínhuraabo me condemnas!. Mandando o gosto espuma aos leves ares. O comprido cabello aos ventoa solto, Entrelaçado de frondente louro. Cinjo a venda sagrada, um? O profético sopro as bocaa soltam. S Hinhâirnl. Filinto, piedade! NSo, nHo roubes Em versos immortaes a immortal nuvem Com que abafa a cautela melindrosa Do travesso Cupido insanos furtos. Mas tu, longe de Ci, nada m'escutas. Ao iuror da Poesia o peito aberto, Agitado, arquejando, oommunicas O fogo, que te abrasa, ao verso altivo: A torrente d'idéas puUulantes Dessa mente fecunda, onde combatem.

Donde opprimidas, fervidas se expulsam, Variadas pinturas da desordem Prodigamente aos dbos teus presente. Enroscados dragdes que a si se mordftm, Erynnis feias, Scyllas horrorosas, Cujos bramidos entre a chamma estalam. Taes verdades no mundo que aproveitam? Bem como naufrago Âyax se segura A um penhasco que o mar em tomo açoita.

Em vio me banho na Gastalia pura;. Investigando a minha triste historia Tu mesmo, oh Santo Phebo! Lateja-me no peito um fogo intenso, Se esperdiças as jóias do Parnaso, Dando ao tyranno o teu sublime incenso.

Bem sei que as Musas quando v8o comtigo Em captiveiro, afflictas, algemadas, É por salvar-te só d'extremo p'rigo Que soflrem ver-se assim tBo degradadas. Assim, qual nova Eiimeníde, a impostura, Cruelmente de um fero açoite armada. Desta terra infeliz toda a ventura Fez voar, contra os Ceos arremeçada. Os prazeres em bando fngíti? Das próprias penas peroo o horror profundo, E reparto meus ais enfare os humanoa.

Ao ler que esgota a venenosa taça O mortal gelo sobre mim se espalha. A cadéa dos erros dilatada, Fabricada por homens, necessita Ser por forças de um Deos despedaçada. Dize, inconstante, dize, nSo te costa A desamar o que algum dia amaste? Ou fui, quando te amei, acaso injusta? Se das rochas de Cintra, onde juraste Eterna fé, o aspecto nSo te assusta, Tira delias a chamma que apagaste. Alga HBROy que me fez mil jaramentos. Nao cuidei que mentia ; alguns momentos Assustou no meu peito a liberdade: Mas a sombra que tem co' a realidade?

Bem sei que hasde matar-me se puderes; NSo tem poder a morte de assustar-me: Mata pois; isso quero; hei-de alegrar-me Se morrendo te impeço de venceres. Deixai-me ao roenos iÍYre o peusamento. Sospenda-se o martyrio, duros fados. Receba o peito alBicto algum alento: Mas que digo? Um triste peito alivio em? Bem que tristes, de paz as horas chèas, Satunio no seu cofre as sepultava. No feliz tempo em qu' inda eu ignorava Que haviam para mim outras mais fèas.

Com que eu domava os monstros furiosos, Hoje abrandem meus fados desabridos. L TAS serras, que a vista frouxa alcança. Nenhuns traços alegres da esperança! Nenhuns sitios que afague a mSo cultora!

Tudo da vida a luz activa ignora. Como M foua o dia. Fui co' a ausência da luz esmorecendo. Porque me abafa o peso da tristeza?

Esquecendo um chuveiro dissipado. Cantam co' as plumas índa humedecidas. J 1 diyiso no campo as lindas flores. Amor, qoe os males meos descontes, Abre os olhos de Clisio, olhos traidores. Porque dormes, ingrato? Que em meu coraçSo vais experimentando. Me fatiavam de Amor valles e montes. Seu doce cheiro conforta, Encantam-me as suas cores; Nenhumas na Primavera O prado adornam melhores.

N'um vaso, premio do canto Que eu ganhei contra Dametas, O puz; vé-se ali gravado Amor aguçando as settas.

Duas rolas carinhosas Compõem a corte de amor; Porém o Deos ameaça Os corações com rigor. Ha dois dias que possuo O encantador ramalhete; Estremeço quando penso Que mal pôde durar sete. Em vio busco na esperança Soccorro que me conforte: Cruel Amor! O prazer foi somente uma negaça. Vi da triste Medéa a face rou. Que os torvos olhos contra o Ceo voltava : Hecate macilenta. Cruel Amor! Suspeitas desgraçadas! Ueidabb do infelii! Nmm Mpremo!

Só tu és quem da yida altêa o preço, Oh Virtude! Oh Deosa, oh pura essência, tu animas Mais que nunca o mortal desfallecido. Qual em mar procelloso brava Scylla, A nobre estrada de seus passos moda. Se pertendo abranger-te, o pensamento Absorve-me o teu mar d'infinidade. A dar-te um nome a mente nSo se atreve. Que nome te darei? Dize-me, aonde A medida acharei que corresponde A tanta altura, a tanta immensidade?

Vós que sois? Tendo mil sensações imperceptiveis. Exércitos de mundos invisiveis Nas minhas próprias véas vHo lutando. Onde estou eu? Ó tu, que do alto brilhas, Dissipa-me a mortal debilidade: Em torno a mim circula a immensidade, Em mim contenho immensas maravilhas. Ó tu, de quem um simples pensamento Que trasborda dos pioprios resplendores. Dize, qual braço, Constantemente as folhas renovando, Lh' infunde a seiva pelas largas véas?

O coraçHo desperta, Nelle fermeota incêndio inda mais vivo, Mais suave oblaçSo, mais digna offerta. De venenosas serpes assobia MortíGera nisbada.

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Que contra os ceos s'0leva d'entre. Tu, centro de prazeres, Lutecia corrompida e tormentosa! Mas qu'importa? Que respiram deleite, Rompem pelos saldes illuminados, Zunindo em coros, encantando as gentes. Tremei, ó descuidados! Assim prepara a surda calmaria As iradas borrascas que ameaçam Campos desertos, onde só habita A tristeza envolvida em sombras densas! Horrorosos penhascos! Desconsolado o espirito procura, Suspirando, uma paz que nSo alcança: O mundo Uti, seu ami go.

Tu, da Luz ímmortal doce Taisca, Tu encobre-me, ó Sol, teus tristes raios, Que mais convém as sombras aos desertos. Mas que altiva figura vagarosa Vem do monte descendo, bella e triste? Menéa o vento leve os seus cabellos  claridade olympica a rodéa Os desertos adorna com seus passos Assim sSo os celestes paranymphos.

Assim foi Mareia Vem, ó Musa inflammar-mel Ai de mim! Só me vejo! A Musa dissipou-sel Terrena Sapiência!

Qoe loucura! Hyperbolus sem luzes, mas soberbo. N 'algum sonho pomposo Irus 1 mendigo Sobre o throno dos Beis se cré sentado Rolano cré dos séculos Romanos Renovar co' a aspereza o grande Génio Qual o fraco guerreiro que em distancia Moteja os que s'escapam do inimigo. Ameaça feroz os que vem longe ; Mas quando perto chegam, treme e foge : 1 Celebre mendigo do paii do lUiaca, qao tombem m cobUta entro 01 numerotoi preteodentei de Penélope, mulher do rei Ulynes, qnondo Oite, pelo len deiapparecimonlo depois da dettmiçSo de Troya, era julgado morto.

Ai de nós! Ha de ser cinza. Em vio te chamo! Té que a trombeta, com fatal estrondo. Tu dormes, Mareia? Àb l tu vives EHes vivem ainda I Qae nome te darei, quando te invoco?

Que conforto me dè nos meus desmaioa Seres celestes Ou decretou o Ceo que d'enfare os mortos EUa é que fosse o men tutelar Génio Espirito divino! E qu' importa que aos olhos meus terrenos A tua etherea formo se demonstre? Troca-me este deserto em Paraisol Mas ah! Onde figura cada qual no estado Que a Providencia como prova ordena. Feliz quem representa como deve!

Quem constante apparece sobre a scena! Corre a Morte a cortina: — outro theatro Mais vasto, mais pomposo nos espera. Com lagrimas nutridos, com pezares Erramos n'uma noite pavorosa.

Rodeados das trevas mais sombrias; Mas alem do sepulchro tudo é dia. Sobre as azas do Génio que m'inspira Corro veloz as scenas illusorias Dessa teoue chimera que os humaDos Chamam prazer. Nfto, que a velhice chama, assim brincando, E o tempo vingador tudo lhe paga. Rodeado de pérolas e jóias. De franjas d'oiro, de pomposas galas.

No tumulto dos gostos conrandido. Eu canto, e como canto? Em tanto para o Ceo as mSos levantam Os opprimidos pobres Ouve o Ceo As bacchanaes do errado adolescente. O prazer que tu buscas s6 se encontra No pacifico seio da Virtude.

Com dobrado terror assusta a Morte O soberbo tyranno, que sem pejo A calada Virtude desprezava: O derramado sangue da innocencia, O sangue! Foi erro? A tua consciência escuta Aqui, longe da bulha, enche seus dias. Sem manchar-se nos térreos embaraços. Contente vai com passos vagarosos, Modelo d'alegria! Em que sitio habitais. Murcbou-se para elle a Primavera, A Ijra emmudeceo; a Lua baça. N9o veria desastres nos amigos Que houvesse de abrandar humano choro? Nunca do peito honesto arrancaria A virtude abatida algum gemido?

Mal pôde ser feliz, se tal sentio! Compete-Ihe de humaDo o nome augusto? As bene6cas doces esperanças Do lavrador em fumo se dissolvem: G os estragos que vé desesperado, Ghorando, ao Ceo severo as mdos levanta : Quando o soldado indómito, sem pejo Do materno regaço afoito arranca A desmaiada tímida donzella.

Ali outra sensível, duvidosa. Suspira pelo amante que a abandona. Que vai buscar no campo sanguinoso As honras, onde só a morte encontra. Um foge após o bem que lhe arrebatam ; Outroy iosepuUo sobre a terra fria, Eosioa que a ternura nunca teme Nem morte, nem punhaes, quando é sincera. Com voz piedosa entio aos Ceos exclama: a Vós, Potencias celestes, defendei-me a O desvairado filho I,.. Ohl qu3o fataes, terríveis Potentados, Os gemidos das mies desconsoladas. Vos hao de ser no dia da vingança!

A mortífera Peste se enfurece. Desola as terras, e do Olympo turvo Desce o Anjo da morte; tudo cobrem Os terrores de um hórrido deserto. Tu encobre-te, ó Sol! Sombras espessas, sepultai no Âveroo O escândalo da seva humanidade. Cedo os duros grilhões da dependência. Calcando a minha cinza altiyamente. Se applaudirilo do seu trinmpho louco. As pungentes lembranças applacando, Disfarçando os remorsos quem me mata. Talvez com dor Bngida inda me accuse: E qu' importa!

Se ao menos eu soubesse Quantos dias amargos inda faltam, Quantos minutos de oppressSo m'esperam!.. Tu, divina Buquois, tu, doce Lippe!

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Tu fugiste também, chorada e cara. Encantadora, augusta Liberdade! Se alguém, de ternas magoas affligido. Ó tu, que vagas serio e pensativo.

Em profundas idéas abjsmado. Escuta a mansa voz que te revela Os segredos de Âlcipe desgraçada. Se adoras a virtude, és seu amigo; Condoe-te pois delia, que seus dias Vio passar melancólicos e turvos, Qual vagaroso passa esse ribeiro. Seu espirito solto agora habita Outros mundos mais vastos, mais ditosos. Mas que voz se levanta oo meu peito?

Ele Voltará

Que pavor me revolve o inlimo d'alma? Ser ditosa? Emmudecei, lamentos! Duras penas, Se tirais de meus olhos débil pranto.

Seja mansa e serena a minha magoa. Quero sentar-me, a contemplar immovel Ora os Ceos espaçosos, ora as aguas: Quero também chorar!. Qual Seraphim celeste, enchendo tudo De favores, em tudo, por seu mando. Os teus ethereos raios yens soltando.

De ti decorre, fonte intermina? Cuja torrente exalça a formosura : O benigno calor de ti dimana, E a força que ennobrece a yida humana.

VOLTARA BAIXAR ELE LEONOR

É de ti, como em throno manifesto, Que alguns raios do AHissimo disparam; Do globo opaco as forças se reparam, Abrilhanta-se o rio, as flores coram, Oma-se a terra, os seres se vigoram. Âquelle Deos, que só contemplar podem As celestes essências reverentes. Com ténues azas, susurrando alegres.

Mil insectos aqui e ali voltèam; O matutino orvalho saborèam, Giram brincando, e bem que tudo ignoním. As leis do Creador seguem, adoram. Que doces vem da abobada aiuiada, D'entre as folhas das arvores frondosas, As cantigas das aves deleitosas! A alegria, que os papos lhes dilata, Em coocentos suaves se desata.

Tua bondade sentem, bem que entregues Ao sentir só, meu Deos! Alonzo acordou angustiado. Seu espírito relutou por alguns segundos, emaranhado nas malhas do sonho, como um peixe que se debate na rede, na ânsia de voltar a seu elemento natural.

Alonzo olhou em torno da cela. Repetira-se, como ele temia, o sonho das outras noites. A brisa picante da madrugada bafejou-lhe o rosto. Alonzo amava aquela hora. Dir-se-ia que ele próprio pairava no ar, sem contatos terrenos.

O horizonte empalidecia e as estrelas se iam apagando aos poucos. Os vicentistas enchiam aquelas paragens com o tropel de seus cavalos, os tiros de seus bacamartes e seus gritos de guerra. Laguna, pois, ficou sendo o ponto de partida das muitas levas de homens que entravam nos disputados campos do extremo sul, para abrir caminho até o rio da Prata, de onde retornavam com novas da Colônia.

Alonzo olhava as bandas do nascente. Os vicentistas, que agora eram senhores de estâncias de gado naquelas terras lindeiras, provavelmente descendiam dos bandeirantes renegados que havia mais dum século tinham destruído bestialmente as províncias jesuíticas de Guaíra e Itati. Pesadamente plantada na terra, o vulto maciço recortado em negro contra o horizonte do amanhecer, ela parecia uma fortaleza.

Alonzo via d. Os soluços pareciam querer rasgar-lhe o peito, subiam-lhe como bolas de ferro à garganta. No cemitério um lagarto correu por entre cruzes e sepulturas. Do outro lado da praça um vulto moveu-se contra a parede do Cabildo. Deve ser um dos guardas-noturnos — refletiu Alonzo. Preciso contar meu sonho ao cura — decidiu ele. E entrou no templo. Por fim o cura ergueu-se, e Alonzo fez o mesmo.

À luz das velas e das lamparinas o rosto do cura tinha um tom alaranjado. Era uma face redonda e carnuda, de feições tranquilas. Sumidos nas órbitas, debaixo de sobrancelhas híspidas e grisalhas, seus olhos azuis tinham um brilho líquido de vidro. O cura respirava fundo. Por um instante Alonzo ficou sem saber por onde começar. E ficou desconcertado ante a veemência de sua própria negativa.

Houve uma pausa. Um grilo começou a cricrilar debaixo dum banco, e sua voz estrídula riscou o silêncio. Mas num ponto todos se parecem. É que de repente me vejo a correr por uma rua estreita, fugindo Sinto-me perseguido e estou em agonia.

Só sei que sou culpado e que por isso alguém me persegue. Às vezes é uma rua em Pamplona, onde nasci. Outras vezes é Esta noite sonhei com uma rua que eu costumava ver na gravura dum velho livro. Antônio, de olhos semicerrados, sacudia a cabeça lentamente. Meus pés pesavam como chumbo.

Fez-se um silêncio em que apenas o cri-cri do grilo continuou, com uma insistência cadenciada de goteira. Alonzo hesitou por um instante. O cura fez com a cabeça um grave sinal de assentimento. Tudo estava muito confuso. Fora, os galos começavam a amiudar, e o trecho de horizonte que a porta do templo enquadrava tingia-se de carmesim. Antônio abriu bem os olhos e voltou a cabeça para o companheiro.

Alonzo baixou o olhar. Havia algo que reservava para mais tarde, quando se confessasse ao cura. Mas era preciso contar agora. Eu vivia sem lei nem Deus, para desgosto de minha família. Nem entrarei em pormenores. Quero apenas que tenha conhecimento desse período negro de minha vida. Mas fala Fazia de mim o que queria. Por causa dela cometi as maiores vilezas. Ela costumava dizer-me que o marido a maltratava, que batia nela. Aos poucos me fui enchendo dum ódio terrível por aquele homem que eu mal conhecia.

Um dia Calou-se, como se de repente lhe faltasse o fôlego. Eu era um bom espadachim e ele tinha trinta e cinco anos mais que eu Procurei o padre confessor da família e contei-lhe tudo. Foi ele que me mostrou o caminho de Deus. Graças a ele estou aqui Quando estamos acordados usamos apenas as salas principais, as que têm janelas para fora.

Mas quando dormimos, o diabo nos entra na cabeça e vai exatamente abrir o cubículo misterioso para que as lembranças secretas saiam a assombrar o resto da casa. E é quando nossa consciência adormece que ele aproveita para agir. Alonzo sorriu de leve. Nas faces morenas e meio encovadas azulava uma barba forte. O cura costumava dizer que amava mais a alma das pessoas que as próprias pessoas físicas. Tinha um prazer todo particular em procurar penetrar nos mistérios da mente dos índios, ler-lhes os pensamentos, seguir-lhes o raciocínio, antecipar-lhes as reações.

Estava a encomendar uma mulher dada como morta havia algumas horas, quando o corpo começou a mexer-se. Houve pânico entre os índios presentes, que se puseram uns a correr desnorteados, outros a cair de joelhos e a murmurar orações. A mulher olhava em torno com olhos aparvalhados.

Antônio levou-a de volta a casa, pô-la num catre, deu-lhe um pote de leite morno e, depois de vê-la reanimada, fê-la falar. Mas ah! Os índios escutavam-na enlevados, ao passo que o cura, céptico, olhava para a índia de soslaio, num silêncio desconfiado. Pay , como Deus é bonito! Os índios estavam boquiabertos. Estava com seu manto azul bordado de estrelas de ouro. Antônio estava fascinado. E o território dos sonhos de pe. Os poemas de San Juan de la Cruz. O punhal. Alonzo ficou calado. O cura tornou a falar.

Alonzo franziu o sobrolho. O cura deu uma palmada na própria coxa. Quando a graça de Deus caiu sobre mim e vi a iniquidade em que vivia, despojei-me de tudo quanto tinha, de tudo que me pudesse lembrar da vida antiga: objetos, roupas, amigos O que devemos fazer é vencê-la, isso sim. Os castiçais vibravam àquele badalar festivo.

Os dois padres se levantaram. O remédio foi dar-lhes um vomitório de folhas de fumo. Alonzo escutava-o em silêncio. Raiava o dia. De todas as casas saíam homens, mulheres e crianças, que se encaminhavam para a igreja.

Via-se nas bandas do nascente, onde o sol começava a apontar, uma faixa dum amarelo avermelhado. Finalmente o sino silenciou e ouviu-se o zum-zum confuso das vozes dos índios. O interior da igreja estava agora todo iluminado.

Preso num raio de sol, seu rosto resplandecia. A praça enxameava de gente. Mulheres arrastavam crianças. Velhos caminhavam apoiados em bastões. O outro sacudiu a cabeça afirmativamente.

Antônio inclinou-se para ele e murmurou: — Louvado seja Deus, sou um homem feliz! E ao dizer isso sua voz chegou a ficar doce e lisa. Quando ele terminou de falar, os índios trouxeram de dentro da catedral a imagem de santo Isidro e o cortejo se formou. À frente iam os tocadores de flautas, tiorbas, clarins e tambores; seguiam-se os homens que carregavam nos ombros a imagem do patrono da lavoura; depois vinham os outros índios, cujas vozes, que entoavam um canto sacro, subiam no ar luminoso.

Àquela hora o pe. Uma vez Alonzo o surpreendera a contar às crianças a história de Jesus, que ele apresentava aos alunos como uma espécie de Bom Cacique. As crianças o escutavam de boca aberta, num silêncio enlevado.

Alonzo começou a atravessar a praça. Havia no ar um cheiro de névoa batida de sol, e a brisa que lhe chegava às narinas vinha carregada dum suave perfume de macela. Alonzo entrou no hospital. Alonzo confabulou por alguns instantes com os enfermeiros e depois saiu a ver os doentes.

Descoberto por um de seus companheiros no momento em que espiava a mulher dum amigo que tomava banho, nua, fora trazido à presença do cura, que o repreendeu severamente, pintando-lhe os horrores que sofreriam no inferno os que pecassem contra os santos mandamentos.

Num dado momento, embriagado pelo próprio fervor, o pe. Dar a Bíblia a ler aos leigos! Um curto silêncio. Reza e pede a Deus que te dê no céu olhos azuis como os de Pay Antônio. Na oficina, Alonzo foi ver o que estavam modelando os escultores e ali passou uma hora.

Havia talhado muitas imagens, algumas das quais se achavam nas igrejas de outras reduções. Francisco esculpia a imagem dum Senhor Morto. Havia pouco um índio esculpira um Menino Deus índio com um cocar de penas na cabeça. Do dinheiro apurado na venda de erva-mate e outros produtos que exportava para o Rio da Prata, pagava impostos ao rei de Espanha, sendo o resto empregado na compra de instrumentos de trabalho, alfaias e outros objetos para as igrejas.

O que sobrava era finalmente remetido aos cofres da Sociedade de Jesus, em Roma. Nos Sete Povos começa a nascer uma das mais belas civilizações de que o mundo tem notícia. Às dez e meia o sino tornou a badalar. Era uma bela arma de cabo e bainha de prata lavrada. Fechou os olhos e imaginou o que teria sido sua vida — ou antes, sua morte — se ele houvesse matado aquele homem. Como se chamava ele? Com quem se parecia? Ouviu seus próprios gritos de dor, os berros e as blasfêmias dos outros condenados que vociferavam coisas obscenas, vituperando Cristo e a Virgem Viu pecadores a se estorcerem, esfolados, purulentos, chamuscados, dilacerados, carbonizados — mas vivos, vivos sempre, sofrendo sempre.

Sentiu na própria carne a dor que as queimaduras produziam. Tinha pecado: estava perdido para toda a eternidade.

O suor escorria-lhe pelo rosto, pelo torso, e de olhos cerrados Alonzo debatia-se sempre no inferno. Alonzo abriu os olhos.

A ponta do punhal penetrara-lhe na carne. Mas agora, suado e ofegante, ele entrevia o céu. Ele estava salvo!

Agora pertencia a Deus. Largou o punhal e seu espírito subiu ao céu. De braços caídos, cabeça erguida, olhos cerrados, ele se deixou levar Sentia o perfume celestial, um sopro fresco bafejava-lhe a fronte. E a luz que se irradiava da face de Deus deixava-o ofuscado. Era bom estar ali! Depois, exausto, e sempre ajoelhado, deixou pender a cabeça sobre o leito. Mas ele amava aquela ferida. Depois um grupo de instrumentos de arco executara uma sarabanda, e agora o índio Rafael ali estava a tocar na sua flauta a pavana dum compositor italiano.

Junto da janela, Alonzo escutava. Parado no meio da sala, de sobrancelhas erguidas, testa pregueada, olhos fechados, ele soprava na flauta, como que esquecido do mundo. E a voz queixosa do instrumento parecia contar uma história. E aquela pavana, composta por um remoto compositor europeu e tocada por aquele índio missioneiro, despertava em Alonzo recordações também remotas.

Lembrou-se de sua casa em Pamplona. Frituras de azeite na cozinha, fragrância de cravos no jardim — esses eram os cheiros da casa de seus pais ao entardecer. A melodia serpenteava sobre as coxilhas. Que pensamentos estariam passando pela mente de Rafael? E com que talento a interpretavam! Que ouvido privilegiado tinham!

Tocavam composições difíceis, e até trechos de ópera italiana. Tocando seus instrumentos e cantando, eles se haviam aproximado pela primeira vez dos guaranis, desarmando-os espiritual e fisicamente e conquistando-lhes a confiança e a simpatia. A pavana terminou. Mas, oh! A pavana era decididamente perigosa. No anoitecer daquele mesmo dia, durante a hora de recreio que se seguiu à ceia, pe. Pouco depois que o sino grande da catedral deu o toque de recolher, alguém lhe bateu à porta.

Um jovem magro, metido numa batina parda, entrou. Alonzo pôs o barrete na cabeça e saiu em companhia do outro. Os olhos encovados quase nunca fitavam de frente o interlocutor.

O outro encolheu os ombros timidamente. Luzia no céu um caco de lua. Entraram no hospital. Alonzo aproximou-se do catre. A índia estava deitada de costas, o sangue escorria-lhe das entranhas, empapava os cobertores e pingava nas gamelas que os enfermeiros haviam colocado ao pé do leito. De olhos muito abertos — olhos de animal acuado — a índia mirava fixamente o cura, enquanto de sua boca entreaberta saía um ronco estertoroso.

Devia ter quando muito vinte anos — calculou Alonzo. Ajoelhou-se junto do catre e começou e pedir a Deus que recebesse no Reino dos Céus a alma daquela pobre mulher, que pecara por ignorância, e a quem decerto nunca fora dada a oportunidade de seguir o bom caminho. Amen — recitava o cura. E o sangue pingava nas gam elas O cheiro de óleo e sangue entrava pelas narinas de Alonzo e em seu cérebro se transformava em pensamentos confusos, que ele se esforçava por espantar.

Ergueu os olhos e viu o cura. Alonzo ergueu-se. Como se tivessem sentido a presença da morte, os outros doentes clamavam pelos padres, oravam e choravam. O cura sorriu.

Venha ver. Alonzo ergueu os olhos para o cura, que sacudiu lentamente a cabeça, adivinhando os pensamentos do companheiro e dando a entender que participava também de suas suspeitas. Aqueles malditos vicentistas! O cura observava a criança. E depois, mudando de tom: — Que nome lhe vamos dar? O cura repetiu: — Pedro Alguns minutos depois, atravessando a praça, rumo da cela, Alonzo procurava descobrir por que se lhe escapara com tanta espontaneidade o nome de Pedro.

Algum amigo quase esquecido? Algum membro da família? Deu mais alguns passos e de repente estacou, como se alguém o tivesse frechado pelas costas. O homem que um dia ele quisera matar chamava-se Pedro.

Agora ele se lembrava Pedro Menéndez Palacio. Foram aqueles os tempos de maior prosperidade dos Sete Povos. A experiência levava os padres a arranjar e apressar o casamento de índios e índias mal eles chegavam à puberdade. A catedral aos poucos se enchia de novas imagens e enriquecia suas alfaias. O relógio incrustado na torre maior parecia a face mesma do tempo, e o sino grande a sua voz.

Os padres indignavam-se ante tais exigências. Mas na maioria dos dias o tempo voava como o vento. Eram seguidos de tamboreiros e tocadores de flauta.

Quando o sacerdote saía da sacristia, era sempre precedido por jovens dançarinos, que marchavam em filas de dois e empunhavam velas cuja chama lhes iluminava a face acobreada e impassível, como que talhada também em arenito vermelho. Como era belo ver depois aqueles esbeltos dançarinos, disciplinados como pajens, parados de pé, ali no batistério! O cheiro do incenso misturava-se com o das flores e ervas. As vozes do coro enchiam, poderosas, o recinto da catedral.

Os objetos de metal cintilavam à luz do sol ou ao reflexo das chamas das velas. Terminada a missa solene, havia danças e cânticos no vestíbulo da igreja, perante os padres e os membros do cabildo.

No entanto o resto do mundo o ignorava! O ar enchia-se de sinos e das vozes de todas as criaturas de Deus — aves, feras e homens. Flores e asas e bandeiras de todas as cores tremulavam nos arcos de triunfo. Um mundo de igualdade que teria como base a dignidade da pessoa humana e seu amor e obediência a Deus.

Que direito tinha uma pessoa de se apossar de largas extensões de terra? A terra, Deus a fizera para todos os homens.

O que era de um devia ser de todos, como nos Sete Povos. Todas as criaturas tinham direito a oportunidades iguais. Alonzo, que fora sempre um estudioso da história, sabia que os homens em todos os tempos foram sempre levados ao pecado pelo diabo, e a arma de que o diabo mais se servia era o desejo de riqueza, poder e gozo. Mas esses senhores consistiam numa minoria. Um dia esses eternos humilhados, esses eternos escravos haveriam de tomar consciência de sua força e erguer-se!

Era pois imprescindível que os sacerdotes exercessem na terra a ditadura em nome de Deus até que um dia dali a quantos anos? Agora, porém, era preciso lutar, pregar, instruir, influir no espírito das gentes, educar e disciplinar a juventude, exercer uma censura feroz em todos os setores da vida daqueles povos a fim de que eles se habituassem a pensar de acordo com a Ideia Nova.

Seriam odiados, caluniados, perseguidos, apresentados como monstros. Os senhores do mundo haveriam de atirar contra eles expedições militares punitivas. Mas ele conhecia a história. A justiça de Deus estava visível nas entrelinhas dos fatos. Por que países como Portugal e Espanha viviam sempre em guerras?

Era porque faltava entre os povos separados por línguas e costumes diferentes um elemento de unidade espiritual. Esse elemento de unidade, esse denominador comum das almas só poderia ser um: o temor e o amor a Deus.

Era em nome de Deus que eles, soldados da Igreja, tinham de lutar. O fim era bom: todos os meios para chegar a ele seriam necessariamente lícitos. Portugal e Espanha, para pôr termo às rixas em que viviam empenhados, tinham assinado um tratado iníquo, segundo o qual os portugueses cediam a seus velhos inimigos a Colônia do Sacramento, e os espanhóis, em troca, lhes entregavam os Sete Povos das Missões.

Rafael, e seguido de perto por Alonzo, que tinha por ele uma estima toda particular. Era um menino mais alto que o comum dos índios da sua idade, tinha a pele trigueira, os cabelos pretos e lisos, olhos escuros e meio oblíquos, nariz fino e reto, e boca rasgada.

Grande foi para Pedro o dia em que pela primeira vez serviu de coroinha. Antes de começar a missa saiu a acompanhar o padre, que aspergia os índios. O coro rompeu a cantar. A voz dos índios enchia as naves: asperges me hyssopo et mundabor; lavabis me et super nivem dealbabor Desde esse dia, sempre que alguma coisa lhe entrava nos olhos, fazendo-os arder, ele se lembrava da palavra asperges.

E os meninos: — Ora pro nobis. Antônio rascou o ar: — Rosa mystica Pedro esqueceu a ladainha. Rosa mística Rosa mística. Ele as repetia baixinho. Como era bonito!

Mas que queria dizer? Sabia o que era rosa. Havia rosas brancas, vermelhas, amarelas Mas que seria rosa mística? Pensou em perguntar ao cura ou a pe. Mas um temor secreto impediu-o disso. Ficou acariciando a palavra, guardando-a como um segredo, como um pecado. Tornou a pensar nela na cama, dormiu com ela. Um dia em que caminhava com pe. Pedro olhou para o pequeno monte de terra a seus pés. Imaginava-a bela e branca como as santas. O jesuíta, surpreendido, perguntou: — Que foi que disseste?

O menino sacudiu a cabeça negativamente, sem olhar para o amigo. Muito cedo Pedro travou conhecimento íntimo com o diabo. Nas aulas de doutrina ouvia histórias sobre anjos bons e anjos maus. Dificilmente conseguia distinguir as coisas que imaginava ou sonhava das coisas que realmente via quando estava acordado.

Num velho livro que pe. Pedro aprendeu também que o diabo vigia nossos passos, procura entrar em nossos pensamentos a fim de nos fazer pecar. Às vezes julgava ouvir esses anjos caídos gemerem na voz do vento, surgirem nas sombras da noite, entre as cruzes do cemitério, ou entrarem no corpo dos morcegos e outros bichos da noite. Aos domingos, com outros coroinhas, acolitava o cura na missa. Fazia também parte do coro; representava nos autos e durante as festas tomava parte nas danças.

Gostava também de andar sem rumo pelas coxilhas, de arco e flecha, a caçar passarinhos, a procurar ninhos ou a aprisionar lagartixas vivas. Em tudo isso ele via, duma maneira obscura, manifestações da luta entre o bem e o mal. E havia sobretudo o grande mistério da morte. Decorava trechos do Martiriológio e salmos, que repetia quando estava sozinho. Sempre que ouvia falar nos outros países que havia para além do horizonte, ficava olhando à distância com olhos tristonhos.

Pedro era diferente. Às vezes tomava da flauta e começava a improvisar. Inventava melodias que ora eram tristes e arrastadas ora rompiam em trêmulos e arabescos alegres, para depois caírem de novo numa melopeia. Aos dez anos Pedro aprendeu de cor uns versos de San Juan de la Cruz que o pe. Alonzo costumava recitar. Como el ciervo huiste, Habiéndome herido; salí tras ti clamando, y ya eras ido. O menino repetia esses versos com sua voz musical.

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Recitou-os um dia para o pe. Meio embaraçado, Alonzo respondeu: — Simbolicamente, Pedro. Alonzo sorriu. Um dia Alonzo chamou Pedro para lhe cortar a tonsura.

Pedro subiu num mocho, apanhou a tesoura e pôs-se a trabalhar. Era a primeira hora da tarde, fazia calor e Alonzo sentia os olhos pesados de sono. Num dado momento a rodela de papel deslizou pelos cabelos do padre, começou a esvoaçar no ar como uma borboleta branca. Nem o espírito nem os olhos, pois estes estavam fitos, fascinados, no punhal de prata que se achava em cima da mesa da cela. Depois, mais alto: — Padre! É um punhal. A lâmina é de aço.

A bainha, de prata lavrada. Mas basta! Gostava de vê-lo empunhar o arco e frechar aves em pleno voo, dar tiros de mosquete, manejar a lança montado num cavalo a todo o galope, e gritar ordens para os soldados Pedro ficava-se ali na cela a imaginar essas coisas. Depois repunha o punhal sobre a mesa e retirava-se sem ruído, como uma sombra. Rafael procurou o pe.

Alonzo, trazendo-lhe Pedro e um problema. Alonzo sorriu e respondeu: — Todos vemos Nossa Senhora. O índio sacudiu a cabeça, obstinadamente. Ele diz que viu Nossa Senhora em carne e osso. Pode ir e deixe o menino comigo. Rafael retirou-se. Houve um silêncio. Era na casa dos padres à hora do anoitecer. Andava no ar um cheiro de carne assada, e vinha de longe o som das cantigas dos homens que voltavam da lavoura.

Houve alguns segundos de silêncio. De repente o jesuíta estacou na frente do menino e perguntou: — Viste Nossa Senhora? Que vais fazer todos os dias no cemitério? Mas como estava habituado às fantasias dos índios — que viam as mais absurdas aparições — insistiu: — Olha aqui, Pedro.

Pedro sorriu e ergueu as sobrancelhas num espanto. E quando deu acordo de si estava sacudindo a criança, bem como havia poucos minutos fizera o cacique d. Deixou cair os braços, sacudiu a cabeça devagar, respirou fundo e de novo começou a caminhar dum lado para outro. Ficou por um instante junto da janela olhando as cores do horizonte.

E tu a vês todos os dias no cemitério? E têm um cheiro bom. Cheiro de rosa. Perturbado, Alonzo começou a assobiar baixinho. Por fim tornou a perguntar: — E depois Vamos para aquele lado.

Pedro ergueu o braço e apontou para o nascente. Como é ele? Tem um chapéu de dois bicos com penachos coloridos E pistolas Só olho Alonzo segurou o queixo de Pedro e fê-lo alçar o rosto. O do padre, de pasmo. Seus olhos fitavam os de Alonzo, firmes, sem piscar.

Depois, destacando bem as palavras, perguntou: — Pedro, tu viste mesmo Nossa Senhora? Na penumbra da sala, que apenas a luz do entardecer fracamente alumiava, o rosto do menino tinha uma pureza de imagem. Vejo todos os dias Alonzo largou-lhe o queixo. Podes ir! Outra vez estava ele em face duma tragédia.

Ele sofria na carne e nos nervos o drama dos Sete Povos.