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SOCIOLOGIA CRITICA DO ESPORTE VALTER BRACHT BAIXAR


Catalogação na Publicação: Biblioteca Universitária Mario Osório Marques- Unijuí. Bs. Bracht, Valter. Sociologia crítica do esporte: uma introdução /. VALTER BRACHT. SOCIOLOGIA CRTICA DO erve o esporte como reforo hegemonia das classes dominantes ou antes um espao de articulao de. Valter Bracht*, Ivan Marcelo Gomes**, Felipe Quintão Almeida***. Resumo: Este artigo reflete sobre . via da Sociologia crítica do esporte brasileira. Em nossa.

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Com um estilo claro, Murad faz um apanhado completo das principais obras que se preocuparam em revelar os meandros que ligam cultura e atividade esportiva. Se aceitarmos essa hip tese, no difcil analisar a histria da capoeira a partir dos esquemas propostos por Oliven e Menezes. O programa esporte e lazer da cidade e a sociedade civil do Distrito Federal. Sem perder de vista as semelhanas e as inter-relaes, pode-se apontar para as tendncias diferenciadoras. Posteriormente, ocorreu urna diviso na organizao ginstica e esportiva inVer cambem Fischer, J. O excurso acima tinha tambm o objetivo de tentar mostrar que a chamada filosofia da prxis possui um componente tico, normativo - uma viso de como o homem deveria ser. Em seu livro O Que E Ideologia, Chau , buscando identificar a origem da ideologia, discute em determinado momento a questo da dialtica materialista: dialtica materialista porque o seu motor no o trabalho do esprito, mas o trabalho material propriamente dito: o trabalho como relao dos homens com a natureza, para negar as coisas naturais enquanto naturais, transformando-as em coisas humanizadas ou culturais, produtos do trabalho. O nacionalismo, por sua vez, torna-se subrepticiamente a base de legitimao do esporte de alto rendimento; 5. Da a hesitao entre a anlise do dado e aquela de suas condies de existncia, do dado e do dar-se, que penetra a fundo nas cincias humanas contemporneas. Neste encontram-se formas que so imediatamente derivadas do esporte de rendimento ou espetculo e que a ele muito se assemelham, como outras que dele divergem quanto a aspectos meramente formais, mas tambm, quanto ao sentido interno das aes. Segundo Digel , o esporte de rendimento ou espetculo constitui hoje um sistema que pode ser resumido nos seguintes pontos: - Possui um aparato para a procura de talentos normalmente financiado pelo Estado. Essa a fase da dominao simblica que se caracteriza pelos registros, conceptualizaes, tipologias, interpretaes, teorias e modelos; c no terceiro momento, o da recuperao, a ao simultnea dos aparelhos ideolgicos e da indstria cultural transforma as expresses culturais das classes dominadas em itens codificados de museus e exposies, em mercadoria extica para consumo turstico. Porque exatamente na Inglaterra "nasceu" ou se desenvolve esta forma de cultura coporal de movimento? Mas, se perguntarmos pelo sentido daquela prtica, pela sua insero sociocultural, somos forados a reconhecer que ela muito pouco se assemelha ao esporte de hoje.

VALTER BRACHT. SOCIOLOGIA CRTICA DO erve o esporte como reforo hegemonia das classes dominantes ou antes um espao de articulao de. Valter Bracht*, Ivan Marcelo Gomes**, Felipe Quintão Almeida***. Resumo: Este artigo reflete sobre . via da Sociologia crítica do esporte brasileira. Em nossa. Compre SOCIOLOGIA CRITICA DO ESPORTE - UMA INTRODUÇAO, do(a) UNIJUI. Confira as Veja mais títulos de Sociologia. Autor: BRACHT, VALTER. SOCIOLOGIA CRÍTICA DO ^^^ envolvidos com as matérias esportivas os Sociologia Critica Do Esporte Valter Bracht Download. Pôde-se observar que o esporte moderno é uma “criação” da sociedade Valter Bracht () e de ou- .. 2- Bracht, V. Sociologia crítica do esporte: uma in-.

Arbeic, Erkenntnis, Kortschritt. AufsUtze Amstcrdan, Nesse texto encontra-se a famosa frase: "Sob a aparncia do jogo c do livre desenvolvimento das foras o esporte duplica o mundo do trabalho". O que nos interessa neste contexto so as conseqncias que derivam da tese da afinidade. Uma delas a de que no esporte de alto rendimento "a reduo da fora de trabalho forma abstrata e quantitativa de mercadoria implica uma coisificao concreta do agir humano" Rigauer, , p.

No distante desta interpretao encontra-se ento a derivao lgica: se esporte de alto rendimento trabalho, e trabalho na sociedade capitalista trabalho alienado, ento alienao'9 tambm o que acontece no esporte de alto rendimento. Segundo Helmer , p. Essa "acusao" foi rebatida principalmente pelo filsofo Hans Lenk.

A argumentao de H. Lenk gira em torno da impossibilidade de eqivaler trabalho industrial e esporte de rendimento, pois no esporte o atleta teria a possibilidade de retirar-se dele, j que se trata de atividade voluntria e, acima de tudo, de reconhecer-se no seu produto, isto , identificar-se com sua atividade.

Lenk faz, na verdade, uma interpretao marcadamente psicolgica21 da teoria marxista da alienao, o que, por um lado, no faz juz a essa teoria, mas, por outro, indica tambm dificuldades a ela inerentes. Lenk prope ou julga no termos outra opo que no seja eleger o prprio indivduo como responsvel por suas aes - a autoridade moral s pode ser em ltima instncia o prprio indivduo. Assim, se os indivduos dizem identificarem-se com sua atividade, isto o que precisa valer zz.

Se a resposta est vinculada em ltima instncia a uma determinada concepo normativa de homem, como fundamentar racionalmente essa viso? Gomo superar a cilada conservadora da impossibilidade de fundamentar decises ticas, que presumivelmente seriam atribuies individuais? Ver sumrio da contracrtica em Liischcn, G.

Sociologia de! Lenk: sobre Ia crtica ai princpio dcl rcndmicnto cn cl deporte , c, mais recentemente, em "Die achtc Kunst", publicado em A respeito ver Helmer , p. Por outro lado, para Sevc , p. Assim, so criadas verdades relativas c ao mesmo tempo absolutas BrClhl, , p, 5. Dada a centralidade dessa questo no mbito dessa vertente da crtica ao esporte, vamos dedicar mais algum espao para sua discusso.

Talvez seja preciso dizer desde logo que bem provvel que uma resposta, ou melhor, que o problema tenha muitas chances de no ter soluo, o que deslocaria nossa ateno para o entendimento de por que no podemos responder claramente essa questo. Consideramos importante dispensar um pouco mais de nossa ateno a esse aspecto, porque ele central, tambm para a anlise da relao trabalho-lazer e nesse contexto o esporte como atividade de lazer e da tese, de orientao marxista ortodoxa, de que a funo bsica do esporte a reproduo da fora de trabalho.

Segundo o autor, o marxismo ao substituir a "autoconscincia" Hegel pelo "trabalho" acaba se manobrando em direo a uma aporia. Habermas indica algumas dificuldades do que ele chama "paradigma da produo" para fundamentar sua tese.

A categoria central em Marx neste caso trabalho. Marx concebe o trabalho como "a auto-realzao coletiva dos produtores" Habermas, , p. O produtor alienado do proveito de seu produto onde ele poderia se reencontrar, e assim, aliena-se de si prprio" idem, p. Desta maneira, o circuito da prxis interrompido.

Mas, o conceito de prxis tambm que precisa conter a "atividade crtico-revolucionria", isto ,. Isso significa que a prxis emancipatria teria de emergir do prprio trabalho alienado idem, p. Ainda segundo Habermas , Marx fica aqui no plano da filosofia do sujeito ou da conscincia , que localiza a razo no na reflexo de quem conhece do sujeito que conhece , mas, sim, na racionalidade objetiva do sujeito que age. Uma das conseqncias que o conceito de trabalho, assim como a racionalidade objetiva que existe em seu interior, ficou, no marxismo, ambguo.

Assim, cincia e tcnica, que para Marx ainda possui claro potencial emancipatrio, aparecem em Lukcs, Bloch e Marcuse apenas como meios eficientes de represso social idem, p. Habermas pergunta: "o que pode a filosofia da prxis opor a uma razo instrumental, a uma racionalidade tcnica que elevou-se totalidade social, se ela prpria, de forma materialista, precisa se entender como parte e resultado dessas relaes coisificadas - se a coao para a objetivao alcana o interior da razo crtica idem, p.

Eis o impasse! Como lembra Freitag , p. Nos crculos conservadores, a anlise do processo de ampliao para todos os setores da razo instrumental levou concepo de que os "cidados do mundo moderno devem sua liberdade subjetiva abstrao das condies histricas de vida" Habermas, , p.

Cidados de dois mundos: pblico e privado. O excurso acima tinha tambm o objetivo de tentar mostrar que a chamada filosofia da prxis possui um componente tico, normativo - uma viso de como o homem deveria ser. Isto , trabalho alienado s recusado eticamente em funo do pressuposto do trabalho criativo, este possvel numa sociedade em que o trabalho alienado for superado e onde, ento, autorealizao, autodeterminao, autoconscincia, conceitos que definem a modernidade, seriam possveis.

A pergunta que surge : como eu fundamento tal concepo de homem, de sujeito? Ou no possvel ir alm de anunci-la, a exemplo das religies? Para os filsofos ps-modernos, elas deveriam ser abandonadas como todas as metanarrativas. Como enfrentar a acusao conservadora de metafsica - tambm levantada por um autor que v nas instituies no o cerceio da liberdade mas a sua possibilidade, como Arnold Gehlen?

Talvez seja ainda interessante ressaltar que aportamos num dos pontos centrais das teorias da socializao. Mais claramente, o reconhecer uma situao injusta no desemboca necessariamente na deciso de agir e, finalmente, na ao transformadora. E nesse contexto que inscreve-se tambm a problemtica do conceito de "conscincia critica" Paulo Freire. No Congresso Brasileiro de Cin Brando centra tambm sua exposio sobre a necessidade de levar a efeito uma "ginstica afetiva do corpo" E, na verdade, um deslocamento da questo da criticidade como elemento cognitivo, eu diria, lgico-racional, para a criticidade como elemento afetivo, emocional, do mbito da sensibilidade, como algo radicado no "corpo".

Essa concepo encontramos tambm em Marcuse, para quem ns teramos "para alm de todos os valores, um fundamento impulsivo-psicolgico para a solidariedade entre os homens, uma solidariedade que em funo das necessidades da luta de classes foi eficazmente reprimida, e que agora surge como prcondio para a libertao" em Gesprache mit Marcuse, a.

Uma tal interpretao implica uma radicalizao do conceito de revoluo apud Marcuse, a, p.

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Se isso tudo pode ser interpretado como uma ampliao do conceito de criticidade de racionalidade , no temos objees, mas faltaria mostrar como, de que maneira se relacionam cognitividade e afetividade e, mais, em que momento a interao leva tomada de deciso para a prtica transformadora revolucionria.

No est aqui presente uma tentativa de fundamentar a razo critica na "natureza", uma fundamentao naturalista da razo crtica? Aqui tocamos numa vertente da crtica ao esporte como elemento de estabilizao do sistema, que se expressa resumidamente na tese da represso ou manipulao do corpo, que segundo entendo possui duas variantes principais: uma orientada na psicologia marxista por exemplo, de W. Reich e em H.

Marcuse, fortemente influenciados pela psicanlise , e outra, que oricnta-sc cm M. Foucault c tambm T.

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Habermas, como sabemos, est buscando desenvolver uma teoria ou um conceito de razo que possa integrar ou reintegrar a racionalidade cindida da modernidade, fundamentando o conceito de razo comunicativa, visando a superar os impasses da filosofia da conscincia, para tal a language-turn fundamental. Mais algumas reflexes cabem aqui. Em seu livro O Que E Ideologia, Chau , buscando identificar a origem da ideologia, discute em determinado momento a questo da dialtica materialista: dialtica materialista porque o seu motor no o trabalho do esprito, mas o trabalho material propriamente dito: o trabalho como relao dos homens com a natureza, para negar as coisas naturais enquanto naturais, transformando-as em coisas humanizadas ou culturais, produtos do trabalho.

Mas o que interessa realmente dialtica materialista no a simples relao dos homens com a natureza atravs pela mediao do trabalho. O que interessa a diviso social do trabalho, e portanto, a relao entre os prprios homens atravs do trabalho dividido [ Seria no interior da prtica a gnese do momento revolucionrio e, portanto, qualitativo, do processo histrico?

A postura de Chau estritamente epistemolgica, corno relao abstrata entre dois conceitos teoria e prtica que se relacionam genericamente para produzir o "saber real" sobre a histria. Efetivamente, suprimida a ideologia dos dominados e tomada a teoria como mera revelao da objetividade, suprime-se igualmente, no mbito da reflexo, o antagonismo de interesses, as contradies de classe.

Trata-se de L. Althusser, indiscutivelmente o pai do "estruturalismo marxista". P- Se a interpretao estruturalsta de certa forma elimina os sujeitos, ou negligencia o peso e a importncia histrica da subjetividade do sujeito , ou supra-individual, identificando a razo com a histria, em Marcuse a, p.

Habermas, por sua vez, intersubjetiviza a possibilidade dessa verdade, e formula a teoria da razo comunicativa. Genro Filho , escreveu um artigo intitulado "A ideologia de Marilena Chau", do qual transcrevo alguns trechos: J tnhamos visto: a teoria no muda a vida. Ela nega teoricamente a prtica, mostrando aos homens que foram suas prprias aes que produziram as condies que os submetem.

A teoria indica, to somente, que foram os prprios homens que criaram as circunstncias que os faz pensar que no foram eles que produziram tais circunstncias. Logo, a teoria mostra aos homens que eles podem se quiserem, mud-las.

Mas isso s poder ser feito de modo prtico e revolucionariamente, Em que dimenso da conscincia social os homens tomam. Rouanet, um que o interlocutor faz referncia a uma conversa entre Habermas e Marcuse, quando este j se encontrava s portas da morte, em que Marcuse admitia que o fundamento normativo em que ele baseava sua teoria crtica era a compaixo pc o sofrimento dos outros. In: Rouanet, S. R e Maffesoli, M. Moderno c posmodcrno. Um autor que tem se ocupado com a possibilidade de fundamentar racionalmente uma tica intersubjetivamente vlida K-O.

Apel, ao qual apelarei para continuar a problematizar a questo. Para Apel, justamente o conceito de racionalidade que domina no interior da cincia analtica, no seu sentido de objetividade sem julgamento de valor, que coloca a impossibilidade de fundamentar racionalmente uma tica intersubjetivamente vlida, pois essa teria de submeter-se s seguintes premissas: a fundamento racional significa deduo lgico-formal de sentenas a partir de sentenas mais bsicas em um sistema de sentenas sinttica e semanticamente axiomatizadas; b validade intersubjetiva de sentenas afirmaes igual a validade objetiva no sentido de constatao no valorativa ou da deduo gico-formal; c a partir de tal verificao ou constatao de fatos no possvel com o auxlio da deduo lgica derivar nenhum julgamento de valor ou afirmao normativa Apel, ,p.

Apel , p. Ora, assim "nem a autonomia de uma assim chamada deciso livre pode ser garantida, se ela s pode ser a partir dela prpria fundamentada de forma privada; pois, o exclusivamente privado no somente o irracional, mas, tambm, a heteronomia no sentido de pura determinao causai" p. Algum socilogo ou poltico-social pode se dar por satisfeito com tal desmascaramento e sacrificar o lado liberal-existencialista do sistema complementar ocidental em favor de uma absolutizao da parte objetivo-cientfica.

Foi o caso de B. Ele substituiu, por assim dizer, a exigncia de responsabilidade solidria de uma comunidade de sujeitos autnomos, em funo da catstrofe mundial eminente, pela exigncia cie nti fieis t de um condicionamento responsvel do comportamento das massas atravs do cientista. Skinner no entanto, no responde quem vai condicionar o condicionador, o cientista responsvel ou quem deveria condicion-lo.

Apel, , p. Para Apel, portanto, a questo no negar ou tornar suprflua a liberdade e a responsabilidade dos homens como sujeitos do agir e, sim, no entend-la a liberdade no sentido da privacidade irracional e, assim, na prtica, deixar que ela seja arruinada na impotncia da privaticidade manipulvel e, mobiliz-la para uma potencial responsabilidade solidria Idem, p. Qual a resposta que o marxismo deu ou pode dar para aquele que est frente a uma situao de deciso no cotidiana e que precisa responder pergunta: "o que devo fazer?

Deciso no cotidiana entendida aqui como uma situao em que as normas institucionais e os. Farte dcss;i obra est traduzida para o portugus em Apel, K. Estudos de moral moderna. Pctrpolis: Vozes, Uma situao, portanto, que, em funo do sistema conflitivo de normas, o sujeito precisa decidir para si, ou no sentido de uma tica poltica para com uma comunidade, estabelecer o caminho futuro.

Segundo ainda Apel , p. Dentro de uma tal perspectiva que temos de buscar entender uma afirmao como a seguinte de J. Brohm b : "o esporte alienante; na sociedade comunista universal ele desaparecer" p. A avaliao do contedo de verdade daquelas crticas ao esporte depender das posies de fundo que o leitor assumir. As reflexes que apresentamos pretenderam evidenciar alguns caminhos ou trilhas que a radicalizao da crtica pode percorrer.

Segundo Honneth , p.

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Adorno, no entanto, via o controle total primeiro atravs da manipulao psquica pelos meios de comunicao de massa, isto , agncias da indstria cultural, enquanto Foucault via tal integrao scr. Tambm o esporte moderno pode ser interpretado como instituio "disciplinadora" do corpo. Algumas tentativas nesse sentido j foram levadas a efeito. Em Dieguez , p. Com o investimento de todas as instncias do sistema, o corpo j no consegue mais ter linguagem prpria: ele no fala, falado.

Os bens que circulam so, antes de tudo, linguagem do poder, transmitida pelos mdia. Mas no apenas os meios de comunicao de massa atuam nesse campo: as universidades, com os seus saberes cientficos; os clubes, torcidas, tudo, assenhoreamento do corpo para torn-lo escravo.

Quanto mais ns estivermos convencidos da possibilidade de fazer com o nosso corpo experincias verdadeiras, autnticas, tanto mais ns reforaremos o poder, que a estrutura pedaggica do poder sobre ns desenvolveu. Quanto mais ns, neste processo, nos sentimos livres, tanto mais ns nos amarramos.

Em Mller , encontramos as seguintes formulaes: "A tcnica, assim como ela encontra seu desfile triunfal no esporte, extremamente atual, est sempre no nvel atual da pesquisa sobre a manipulao e condicionamento dos corpos" p. O uso instrumental do corpo bloqueia a possibilidade de perceb-lo adequadamente, promove o bloqueio do prprio corpo, que, assim, no pode ser escutado e percebido.

Somente em sua funo de objeto ele ainda considerado; se ele pode funcionar de forma eficiente e com bom rendimento. O corpo torna-se surdo, isto , ele foi calado, p. Mller interpreta as modernas tcnicas de treinamento como um arsenal de tcnicas de manipulao corporal com vistas exclusiva-. Gebauer , p. O autor culmina seu ensaio dizendo: o exemplo de Rousseau mostra como a partir da educao do corpo pode ser exercido poder sobre a mente.

O exerccio do poder no serve-se mais de nenhuma clara tcnica de represso. Ele atua atra" Alm disso, Foucault procura evitar o conceito de ideologia - ver a respeito Koucault , p. Alis, Foucault critica os para-marxistas como Marcuse, que, segundo ele,. Pois, se o poder s tivesse a funo de reprimir, se agisse apenas por meio da censura, da excluso, do impedimento, do recalcamento, maneira de um grande superego, se apenas se exercesse de um modo negativo, ele seria muito frgil. Por outro lado, preserva a categoria do poder, a partir de sua origem histrica ocultada que se situa no conceito metafsico crtico do desejo da verdade e do saber , tambm o sentido de um conceito bsico terico constituinte que vai conceder s anlises das tecnologias do poder seu significado racional-crtico e garantir, assim, historiografia genealgica seu efeito desmascarador".

Observa ainda Habermas , p. Desse crculo vicioso tambm a genealogia do saber no pode sair, mesmo ativando a revolta dos saberes desqualificados e mobilizando o "saber subordinado" contra a coero de um discurso cientfico formal, terico e unificado.

E em outro momento: "Gomo resposta revolta do corpo, encontramos um novo investimento que no tem mais a forma de controlerepresso, mas de controle-estimulao: fique nu Isto , nada foge aos olhos do poder, ou melhor, rede do poder. Como lembra Machado , em Foucauk "os poderes no esto localizados em nenhum ponto especfico da estrutura social. Funcionam como uma rede de dispositivos ou mecanismos a que nada ou ningum escapa, a que no existe exterior possvel, limites ou fronteiras" p.

Embora, segundo Honneth , p. Segundo ainda Honneth, encontramos em Foucault um dilema terico: "embora tudo parea, em sua crtica da modernidade, estar baseado no sofrimento do corpo sob as aes disciplinadoras dos modernos aparelhos do poder, no possvel encontrar em sua teoria nada que pudesse articular este sofrimento enquanto sofrimento" p. Habermas , p. Nesse contexto precisamos incluir tambm o conhecimento por ele prprio Foucault produzido.

Rorty , analisando o debate entre Habermas e Lyotard em torno da ps-modernidade, em cujo contexto a obra de Foucault possui grande destaque, tambm faz referncia a algumas posies deste autor. Entende Rorty , p. Para este autor Foucault assume um distanciamento que nos impede de encontrar qualquer "ns" em seus escritos.

A tarefa de escrever "a histria do presente", em lugar de sugestes sobre como nossas crianas poderiam viver num mundo melhor no futuro, faz desistir no apenas da noo de uma natureza humana comum, e da noo de "sujeito", mas tambm de nosso sentimento no terico de solidariedade social.

Sociologia crítica do esporte: uma introdução by Valter Bracht

Rorty, , p. Com as citaes anteriores, procuramos apenas indicar alguns pontos da teoria do poder de Foucault passveis de crtica. No entanto, um aprofundamento dessa crtica no aqui possvel.

E preciso considerar, tambm, que no so muitas as tentativas de tornar a teoria desenvolvida por Foucault frutfera para uma anlise do fenmeno esportivo; sendo muito mais ampla a sua utilizao no mbito da pedagogia, em funo das anlises realizadas pelo prprio Foucault da instituio escola.

De qualquer forma, nas poucas anlises existentes, o esporte aparece como elemento paradigmtico da sociedade moderna no plano das prticas corporais, ou seja, como expresso da modernidade no plano da cultura corporal. Assim, a crtica alcana o projeto da modernidade, levando em alguns casos a um pessimismo ou a uma descrena, como em Dieguez : O caminho da verdade, se essa a meta do leitor compete a cada um.

Trs so, no nosso modo simplista de encarar o fenmeno, as alternativas: ou adota-se a postura neurtica de combater o sistema ou o poder, V. Pierre Bourdieu um dos poucos socilogos importantes da atualidade que tem se preocupado com o fenmeno esportivo O interesse de Bourdieu concentra-se, principalmente, na relao entre cultura, dominao e desigualdades sociais, pois em seus olhos a cultura no uma esfera inocente e, sim, um meio importantssimo para a reproduo da estrutura de classes da sociedade capitalista desenvolvida.

Esses autores tiveram seus textos publicados, alem do ingls, cm vrias oneras lnguas: Elias, N. Sport et civilJsaton; In violcnce maitrisc. Deporcc y cio en c!

Mxico: Fundo de Cultura, ; Elias, N. Sporc im Zivitisatonsprozess. Segundo H. Mller , p. No processo de construo de sua teoria Bourdieu empreende um esforo muito grande para superar tanto o "objetivismo" quanto o "subjetivismo" reinante na sociologia Bourdieu, Nesse sentido, um conceito bsico desenvolvido por Bourdieu o de habicus.

E o conceito de habitusque. Essa frmula do processo de reproduo pode ser entendida da seguinte forma: "uma estrutura por ex. Bourdieu distingue basicamente trs formas de capital: econmico, cultural e social. Assim, segundo ainda H. Segundo Hargreaves , p. A relao do indivduo para com o seu corpo um aspecto fundamental do habitus, que varia no s entre as classes, mas, tambm, entre as faces de classe Boltanski, Bourdieu afirma que a passagem do esporte enquanto uma prtica reservada elite para amadores , para o esporte-espetculo, produzido por profissionais para as massas espectadoras,.

Bourdieu capta o mundo social moderno a partir de um tipo de "topologia social", apresentando-o como um espao multidimensional, cujas dimenses individuais so compostas a partir dos princpios de diviso preexistentes e de suas caractersticas. Essas caractersticas no so nada mais, nada menos, do que os recursos estrategicamente importantes, mais concretamente, os tipos de capital ou poder. Para Bourdieu , p.

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A demanda por sensacionalismo e a urgncia de produzir um resultado dividem os expcres e. A popularizao do esporte permitiu s classes privilegiadas manter o capital poltico, por exemplo, pela promoo e controle da indstria esportiva privada ou estatal. Aqui de acrescentar que os dirigentes esportivos, via-de-regra pertencendo s camadas privilegiadas, podem transformar, na linguagem de Bourdieu, o capital social obtido na administrao esportiva em poder poltico- aludo aqui aos dirigentes de federaes esportivas corn aspiraes polticas.

As diferentes classes sociais, e estes so resultados de exaustivas pesquisas empricas desenvolvidas por Bourdieu junto com Boltanski , vinculam com a prtica esportiva e atividades corporais as mais distintas expectativas: onde para uma classe em primeiro plano est a aparncia da musculatura atltica, para outra est a elegncia e a beleza; enquanto uns esperam obter sade, outros esperam compensao psquica.

Em outras palavras, a distribuio especfica de classe da prtica esportiva no est baseada apenas na desigualdade de recursos financeiros disponveis, ela baseia-se tambm, nas diferentes percepes e entendimentos da prtica esportiva. Bourdieu, , p. Para as classes altas, a prtica esportiva est indissoluvelmente ligada com as maneiras do comportamento fino, que repercute na indumentria esportiva bem cuidada, numa atitude de reserva frente utilizao fsica do corpo, para que tambm, rnesmo num esforo corporal mais intenso, no exponha nua e cruamente sua sensibilidade; est ligada tambm com as formas de tcnicas esportivas, com a finesse, com a habilidade e a inteligncia corporal.

A inclinao das classes altas para a prtica esportiva a vem transformando paulatinamente num campo da esttica. No portanto estranho que representantes das classes altas no esporte, no percam a oportunidade para ressaltar suas qualidades estticas.

Importante que para Bourdieu, o consumo e a prtica do esporte, bem como das atividades corporais em geral, participa enquanto elementos da cultura do processo de reproduo das diferenas de classe. Sua teoria da educao socializao tem sido no Brasil denominada no debate pedaggico por Saviani e seguidores de "reprodutivista", j que no perspectiva para o sistema educacional outra funo que no seja, exatamente, reproduzir as diferenas de classe. Uma crtica semelhante provm de Hargreaves , p.

Para exemplificar, vejamos como Gebauer , p. Segundo o autor, o engajamento esportivo das classes baixas e altas reflete de forma similar a oposio entre contedo 30 maneira e substncia e forma. A "matria bruta" do corpo do esportista e a "substncia" do uso da fora e da luta caracterizam as prticas esportivas privilegiadas A lgica do campo cultural do esporte, por exemplo, opera de forma tal que leva, aparentemente de forma inevitvel, a reproduzir as relaes sociais dominantes.

Isto significa que o esporte no pode ser, em nenhum sentido, autnomo. Isso impe teoria de Bourdieu uma forma de determinismo cultural, no qual os agentes da prtica cultural, as classes sociais e as relaes de poder so propriedades do sistema.

Embora Bourdieu trabalhe tom a perspectiva da "autonomia relativa dos campos", um cnnceitu bastante problemtico pnrt iic impreciso. Para H. Mller , por outro lado, um dos principais problemas da teoria de Bourdieu refere-se concepo de que o habitus dirige uma praxis orientada estrategicamente. O que nos modelos das teorias clssicas ainda era desenvolvida como a "dualidade da natureza humana" e que era abrigada em concepes como a de Freud do "Ego" e "Superego", a de Mead "I" e "me", a de Durkheim "organismo" e "personalidade", em Bourdieu cede lugar conformao social do sujeito.

Se a teoria da personalidade de Parsons parecia conter um "oversocialized concept of man", a abordagem de Bourdieu parece indicar para um "overstructuralized concept of man": o habitus no nada mais do que uma expresso para a traduo de coaes econmicas na aparente liberdade de um estilo de vida. Subjetividade tambm subjetividade social, e no no sentido de identidade nica, o que os clssicos, apesar de tudo, haviam previsto na forma de um resto de impulso Freud e Durkheim e de um fator de espontaneidade Mead.

Um outro aspecto que a ns interessa analisar mais aprofundadamente at que ponto a teoria de P. Bourdieu - que foi desenvolvida com vistas realidade dos pases capitalistas desenvolvidos e mais especificamente a Frana - pode sugerir um referencial para a anlise da reproduo social em sociedades como a brasileira. Fica a interrogao! Como variante do debate que se concentra na relao esporte e trabalho, discutida no captulo 3, desenvolveu-se uma vertente com base terica no materialismo histrico, que aborda o esporte enquanto reprodutor da fora de trabalho.

O esporte nesta perspectiva de anlise considerado na verdade, como um dos componentes do tempo livre ou do lazer, abrangendo a problemtica mais ampla da relao trabalho-lazer. Aqui refere-se aquela variante que procura, mesmo na anlise de elementos do mbito cultural, privilegiar a tica econmica. Interessante notar que os autores que trabalham nessa perspectiva, principalmente Gldenpfennig , Volpert e Maier , ao contrrio daqueles que se situam na tradio da Escola de Frankfurt, no dedicam ateno maior ao contedo interno do esporte.

No criticam, por exemplo o possvel contedo ou efeito ideolgico do esporte de rendimento, seu efeito sobre o nacionalismo, a veiculao ideolgica via socializao. O esporte parece ser considerado um produto do processo histrico e como tal, uma conquista dos homens que cabe, no entanto, colocar a servio da maioria, isto , dos trabalhadores.

Em outros estudos procura Gldenpfennig , inclusive, realar o papel que o esporte pode desempenhar na paz mundial. Aqui essa vertente ser apresentada e discutida numa forma bastante breve, mesmo porque seu campo de influncia parece se circunscrever basicamente Alemanha, e tambm, porque voltaremos aos seus aspectos centrais quando analisarmos os estudos que se fundamentam no conceito gramsciano de hegemonia.

Segundo esta vertente, o esporte teria se desenvolvido em estreita ligao com as necessidades da reproduo da fora de trabalho para o sistema de produo capitalista. Esta tese foi desenvolvida em detalhes por Gldenpfennig , que diferenciou dois tipos de reproduo: a reproduo simples ou fsica e b reproduo ampliada da fora de trabalho qualificao do trabalhador.

O autor ou os autores entendem que se o esporte restringir-se sua funo de reprodutor simples da fora de trabalho, isto , uma reproduo simplesmente fsica orgnica , alm de reforar qualidade pessoais necessrias tambm ao trabalho, como, dedicao, ascese, persistncia, disciplina, pontualidade, ordem etc. No entanto, e esta tese defendida principalmente por Gldenpfennig , p. Isso pressupe que os prprios trabalhadores assumam o controle da conformao do seu tempo livre, no caso, do seu esporte de lazer.

62061318 Sociologia Critica Do Esporte Valter Bracht

Uma crtica a essa concepo vem de um autor que se situa nessa mesma perspectiva terica: E indiscutvel que a qualificao do trabalhador necessria e que, assim, a exigncia de uma qualificao ampliada tambm correta, porque ela representa urna condio para uma melhor venda da mercadoria fora de trabalho. Politicamente e cientificamente problemtico , em qualquer caso, a concluso pura e simples de que a qualificao para o trabalho leva a uma qualificao poltica.

Pois, a relao causai entre "melhor educao" e "maior conscincia poltica", defendida no interior da educao poltica, mostrou-se, nas pesquisas, um equvoco. A falta de clareza sobre esta relao parece ser a razo pela qual Gldenpfennig sempre, onde ele procura desenvolver sua anlise de forma mais concreta, esquece a qualificao especificamente poltica.

Maier, , p. Estamos aqui, possivelmente, frente a uma ambigidade. O esporte de lazer parece tanto contribuir para a reproduo da fora de trabalho, tendo como efeito uma maior adaptao explorao capitalista, como tambm, no sentido contrrio, contribuir para qualificar o. Funo de uma sociologia do lazer ou do esporte crtica, seria analisar concretamente em que momento, sob quais condies, etc.

Uma outra vertente da sociologia crtica do esporte aquela que se vale das anlises ou da vertente gramsciana do marxismo, ou do marxismo que se desenvolveu na esteira das obras de A. Aqui destacam-se como autores mais importantes Hargreaves , Gruneau Gruneau e Whitson , Donnely e Manhes O estudioso do lazer N.

Marcellino tambm poderia ser enquadrado dentro desta perspectiva, embora seu tema no seja especificamente o esporte. A influncia do "poder de classe subestimado neste paradigma terico, e assim sendo, o espao para a discusso do problema da relao da cultura com o que Gramsci chama de Hegemonia, e o papel do esporte nesta relao, muito reduzido" p.

O conceito central em Gramsci para nossas discusses aqui o de hegemonia. Segundo Chau , p. Todavia, o conceito de hegemonia ultrapassa aqueles dois conceitos: ultrapassa o de cultura porque indaga sobre as relaes de poder e alcana a origem do fenmeno da obedincia e da subordinao; ultrapassa o conceito de ideologia porque envolve todo o processo social vivo percebendo-o como prxis, isto , as representaes, as normas e os valores so prticas sociais e se organizam como e atravs de prticas sociais dominantes e determinadas.

Pode-se dizer que, para Gramsci, a hegemonia a cultura numa sociedade de classes. Hegemonia portanto, no pode ser entendida como uma estrutura esttica. Segundo Williams apud Chau, , p. Suas estruturas concretas so altamente complexas e sobretudo no existe apenas passivamente na forma de dominao. Deve ser continuamente renovada, recriada, defendida e modificada e continuamente resistida, limitada, alterada, desafiada por presses que no so suas.

Tais autores tentam justificar as relações do homem com a sociedade. Para tanto, apresentamos aqui as principais ideias correlacionadas a Sociologia do Esporte e utilizaremos para ampliar as informações e formalizar os conceitos as ideias de cientistas sociais e sociólogos.

A partir dos conhecimentos adquiridos, após a leitura deste livro, responda aos seguintes questionamentos: 1. Após o estudo sócio-histórico da sociologia, responda de que maneira a sociologia contribui para o esporte na contemporaneidade? Temas e questões fundamentais na sociologia do esporte. O que é esporte? Suplemento n. Como é possível ser esportivo? In: Questões de sociologia. Rio de janeiro: Marco Zero, Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico.

O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, Ijuí: Ed. Movimento Porto Alegre , v. Porto Alegre: Artmed, As novas fronteiras do país do futebol. Mulheres e esporte: processo civilizador ou des civilizador. Logos, v. Esporte olímpico e paraolímpico: coincidências, divergências e especificidades numa perspectiva contemporânea. MELO, V. Apontamentos para uma história comparada do esporte: um modelo heurístico. A história do uso político do esporte. Ci e Mov. Bibliografia Web Bracht, Valter.

Rio de Janeiro: Francisco Alves, Revista Folha UOL. Com Ciência - n. A autora! Bons estudos! Sociologia do Esporte 19 Contexto histórico da Sociologia do Esporte No que diz respeito à sociologia podemos inferir que é uma ciência de estudo dos fenômenos sociais construídos pela sociedade, de modo geral, trata das relações humanas formadas ao longo dos séculos.

Av A partir dos conhecimentos adquiridos, após a leitura deste livro, responda aos seguintes questionamentos: 1. Por que estudar as disciplinas sociológicas é fundamental para todas as profissões? Excelentes estudos! Edwalcyr Edwalcyr Santos. Published on May 31, Go explore.

Aqui a competio saudvel e o desejo do mais alto rendimento tambm no negligenciado, mas falta toda e qualquer pr-condio para uma adorao exagerada dos heris. A classe trabalhadora realiza todas as coisas com o objetivo de melhorar sua condio de classe; assim tambm. Isto torna nobre o seu jogo e o seu esporte e o preserva contra hilrios exageros. Para a jovem classe trabalhadora recm despertada paru conscincia de classe a idia do socialismo que a protege contra equvocos. Fritz, , apud Bernett, , p.

Huizinga , p. O esporte tecnificava, racionalizava o jogo, o ldico. Isto se manifesta nitidamente na distino oficial entre amadores e profissionais ou "cavalheiros e jogadores", como j foi hbito dizer-se , que implica uma separao entre aqueles para quem o jogo j no jogo e os outros, os quais por sua vez so considerados superiores apesar de sua competncia inferior.

O esprito do profissional no mais o esprito ldico, pois lhe falta a espontaneidade, a despreocupao. Isto afeta tambm os amadores, que comeam a sofrer de um complexo de inferioridade. Uns e outros vo levando o esporte cada vez mais para longe da esfera ldica propriamente dita, a ponto de transform-lo n uma coisa suigeneris, que nem jogo nem seriedade. O esporte ocupa, na vida social moderna, um lugar que ao mesmo tempo acompanha o processo cultural e dele est separado, ao passo que nas civilizaes arcaicas as grandes competies sempre fizeram parte das grandes festas, sendo indispensveis para a sade e a felicidade dos que nelas participavam.

Esta ligao com o. A capacidade das tcnicas sociais modernas para organizar manifestaes de massa com um mximo de efeito exterior no domnio do atletismo no impediu que nem as Olimpadas, nem o esporte organizado das universidades norte-americanas, nem os campeonatos internacionais tenham contribudo um mnimo que fosse para elevar o esporte ao nvel de urna atividade culturalmente criadora.

Seja qual for sua importncia para os jogadores e os espectadores, ele sempre estril, pois nele o velho fator ldico sofreu urna atrofia quase completa.

Bernett , autor que ser nossa referncia bsica neste captulo, sistematizou a crtica ao esporte no perodo que antecede a crtica da Nova Esquerda da seguinte forma: a a crtica dos adeptos da ginstica; b a crtica do movimento ginstico da classe trabalhadora ao esporte "burgus"; c a crtica moral da igreja ao carter irreal do esporte; d o esporte voluntarista na viso dos tericos da ginstica; e o esporte como objeto da crtica cultural; f a crtica ao esporte por parte dos "intelectuais"; g a crtica dos nacional-socialistas ao esporte "apoltico".

Como vemos, o esporte no se desenvolveu sem despertar reaes crticas, o que parece contrastar com a "aparente" unanimidade social da qual desfruta hoje. Procurarei a seguir destacar seus pontos centrais. Eichberg , p. E conhecido o debate entre os defensores do esporte na Inglaterra e os defensores da ginstica no continente europeu , ou seja, os sistematizadores dos mtodos ginsticos, quanto ao meio mais adequado para a Educao Fsica da juventude.

No entanto, menos conhecidas entre ns no Brasil pelo menos quase no encontramos registros na historiografia esportiva em lngua portuguesa so as crticas oriundas das organizaes de ginstica e esportivas de trabalhadores europeus alems, belgas, francesas, suas e inglesas principalmente , levadas a efeito nas primeiras dcadas deste sculo. A classe trabalhadora em pases como a Blgica, a Tchecoeslovquia, a Frana e principalmente a Alemanha criou uma organizao de clubes de ginstica e, posteriormente, tambm de esportes, prpria, que procurava diferenciar-se das organizaes ginsticas e esportivas "burguesas".

Este movimento produziu textos de jornais e mesmo livros , onde os princpios que norteavam suas atividades bem como as crticas ao esporte "burgus" estavam expressas. Dierker 9 publicou pesquisa em que ressalta a integrao do movimento ginstico e esportivo dos trabalhadores dos pases citados acima nos movimentos internacionais de trabalhadores, como a segunda internacional socialista e a terceira internacional comunista.

Na verdade, as associaes ginsticas e esportivas de trabalhadores na Frana, Alemanha, Sua, Inglaterra, Tchecoeslovqua e Blgica criaram em uma "Internacional Esportiva" Association Internationale Socialiste d'Edcation Physique , com sede em Bruxelas. Posteriormente, ocorreu urna diviso na organizao ginstica e esportiva inVer cambem Fischer, J. De Russenspiclc - E i n h e i t s f r o n t der Arbeitersportlcr fr Demokratie u n d internationale Solidaritt.

In Hopf. Fussball; Soziologie und Sozialgeschichte cincr populiircn Sporcart. Bcnshcim: Pad-Extra-Buchverlag, , P. Mesmo assim, foram organizadas duas grandes olimpadas, uma em Frankfurt em Arbeitersportolympiade e outra em Praga em Delnicka Olympiade.

Aps a Segunda Guerra Mundial este movimento no foi retomado. Bernett , p. Era destacada a necessidade de quebrar a exclusividade do esporte dos senhores dos dominantes ; 2. A negao do princpio da competio entendida como decisivo para uma cultura corporal proletria.

O esporte competitivo burgus atacado genericamente como um espelho e instrumento da economia capitalista. Nesta viso, a racionalizao das tcnicas esportivas aparece como paralela ao sistema capitalista taylorizado; 3.

As organizaes ginsticas e esportivas de trabalhadores buscavam se distanciar da mentalidade esportiva burguesa, na medida em que colocavam como princpio orientador a solidariedade de todos os trabalhadores; 4. O esporte-espetculo utilizado como meio para desviar a ateno das massas da luta de classes e como fuga da realidade poltica.

Com relao ao esporte nas fbricas, alertava-se contra a introduo de uma nova "arma" para a disciplinao dos trabalhadores; 5. O esporte burgus dominado pelo capitalismo que fomenta o militarismo e o facismo. Os textos que o autor cita com reproduo dos originais em sua obra so datados de , , , e A seguir apresentaremos e discutiremos a crtica ao esporte que encontra-se na tradio da Teoria Crtica, mais conhecida como Escola de Frankfurt.

At a dcada de sessenta, nos textos produzidos aps a segunda guerra mundial, o esporte aparecia na literatura fundamentalmente corno um mundo a parte, reduto do mundo privado, espao apoltico da vida. A sociologia e a filosofia haviam se ocupado com o fenmeno esportivo de forma muito espordica e assistemtica1".

Este quadro vai, no final da dcada de 60 e, principalmente, durante a dcada de 70, modificar-se radicalmente. No entanto, acc agora no foi feita n e n h u m a tentativa seria para a explicao deste fantstico fenmeno".

Este processo de crtica sociofilosfica do esporte nesse perodo, principalmente na Europa, foi em grande parte desencadeado pelo movimento revolta dos estudantes". Tal crtica tinha como referencial bsico o neomarxismo dos frankfurtianos, da chamada Escola de Frankfurt, tambm conhecida como Teoria Crtica, principalmente de Herbert Marcuse, mas tambm Theodor Adorno, Max Horkheimer e Jrgen Habermas Concordamos com a advertncia de Freitag , p. No entanto, no nos fica aqui outra opo.

Assim sendo, apoiando-nos em Salamun , procuraremos estabelecer sumariamente as teses da Escola de Frankfurt que transpareceram na crtica ao esporte de forma mais pronunciada: a a tese da coisificao ou alienao.

Essa tese resumidamente prope que a sociedade e os homens no so aquilo que em funo de suas possibilidades e sua natureza poderiam ser. Isso transparece nas sociedades industriais principalmente no mundo do trabalho. Como causa, temos um tipo de pensamento que se efetiva na razo instrumental ou racionalidade tcnica. Isto , as relaes sociais em seu conjunto so norteadas por uma razo instrumental, coisificando-as13; 11 lz.

De acordo com essa tese, a sociedade moderna altamente tecnologizada, industrializada e desenvolvida, representa um sistema de represso, dominao e manipulao. Ele parte da concepo freudiana de que somente uma permanente represso e inibio da estrutura de impulsos do homem, que originalmente est orientada para o ilimitado ganho de prazer e felicidade e satisfao das necessidades, permite a vida em sociedade.

Sua crtica a de que a moderna sociedade industrial capitalista teria institucionalizado um grau elevado e desnecessrio de represso Salamun, , p. O princpio do rendimento desempenha um papel importante neste contexto. Segundo Marcuse b, p. De acordo com essa tese, os homens nesta sociedade teriam de tal maneira suas necessidades e desejos manipulados que passariam a ter de encarar uma transformao revolucionria como contrria aos seus interesses e, assim, tambm a negariam.

A partir desse referencial - apresentado aqui de forma muito precria - diferentes autores levaram a efeito uma crtica da instituio burguesa do esporte. Na Frana, destacaram-se inicialmente J-M. Brohm a, b e P. Laguillaumie , na Alemanha Federal, B. Rigauer , , G, Vinnai e Bhme et ai. O esporte nessa crtica caracterizado: a como um sistema de ao coisificado e em conformidade com o trabalho;. Ver a respeito Moegling, , p. Para uma introduo ao pensamento da Escola de Frankfurt remetemos o leitor ao trabalho de Freitag , publicado pela Brasiliense.

Aqui rcflctc-se o que Habermas 19HH, p. Adorno mesmo manifcstou-sc de forma muito breve sobre o esporte, como por exemplo: "O esporte moderno procura devolver ao curpo uma parte das funes que a m q u i n a havia lhe roubada. Mas ele procura faze-lo para colocar o homem de forma mais implacvel ainda a servio da mesma mquina.

Ele molda o corpo tendcncialmentc mquina. Por isso, ele pertence ao mundo da noliberdade, independentemente de onde a gente o organize" Adorno , citado por Kirsch, , p. No ser possvel rever em detalhes todos os aspectos dessa vertente da crtica ao esporte. Espero, no entanto, com a sntese que se segue resumi-la de forma satisfatria.

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Partindo da crtica da sociedade dominante como uma formao social capitalista tardia, o esporte foi analisado em sua funo de estabilizao do sistema como um todo. So postuladas para o esporte, por exemplo, as funes de desvio da ateno e de atenuador das tenses sociais, que permitiriam uma compensao para as insuportveis condies de vida.

Tanto o esporte de rendimento quanto o esporte de lazer desviam a agressividade potencial das suas origens sociais para as aes esportivas. Frustraes que resultariam do trabalho alienado e das condies de moradia dirigem-se, assim, no contra as verdadeiras causas, e, sim, so transformadas em agir agressivo no contexto das competies esportivas.

Assim, diluem-se as energias necessrias para uma transformao das condies societrias, que so assim inibidas e no acontecem. Todo gol comemorado no esporte , na verdade, um gol contra a classe trabalhadora. Tambm de efeito estabilizador a funo do esporte no processo de represso sexual e canalizao do impulso Hbidinoso. A sexualidade, atravs de uma acentuada atividade alternativa, o esporte, 14 IS. Um atleta dispende sua energia sexual no esporte e, assim, disciplina seus impulsos sexuais, roubando-lhes, dessa forma, seu possvel efeito social-libertador.

No esporte o interesse sexual em relao ao corpo coisificado e alienado e, assim, envolvido e canalizado em normas abstratas de rendimento. Uma outra variante refere-se funo ideolgica do postulado da igualdade de chances no esporte.

A igualdade formal de chances da estrutura esportiva indica para a presumvel existncia de uma correspondente forma de sociedade. Tal idia nega a fundamental desigualdade de chances inerente sociedade capitalista e eleva o princpio esportivo da igualdade de chances a um princpio geral da sociedade Tambm a dimenso poltica da socializao atravs do esporte realada nessa crtica Ao lado do contedo ideolgico veiculado pelo esporte, o intensivo engajamento no esporte provocaria um desinteresse poltico, O interesse nas tabelas dos campeonatos, nos dolos esportivos etc.

Aqui vale uma observao interessante: alguns estudos brasileiros, como os do antroplogo Roberto da Ma t t e da antroploga Alba Zaluar, esta cm parte respaldada no primeiro, fazem uma avaliao exatamente contrria do significado da vivncia no esporte do princpio dtt igualdade de chances e da valorizao do rendimento como princpio que decide os benefcios advindos dele.

Segundo esses autores, essa experincia faz ver que possvel uma sociedade regida por regras democrticas, embora esta, na qual eles vivem, no o seja Zaluar, , p. Ver a respeito Brachc Principalmente o esporte de alto rendimento desenvolveu um ritual que refora o comportamento e pensamento nacionalista exacerbado.

Assim, as injustias sociais podem ser compensadas por uma identificao com a nao no contexto do confronto esportivo internacional. As crticas que se pode fazer a essas interpretaes da funo poltica do esporte so vrias. Elas vo da acusao de generalizao excessiva das anlises, da falta de diferenciao do conceito de esporte, da reduo da crtica forma capitalista de sociedade, ignorando o papel do esporte nos pases socialistas da poca, bem como nos ainda hoje socialistas, como Cuba e China, at a falta de fundamento emprico das afirmaes' 7.

No entanto, a crtica da crtica no pode se contentar com objees to gerais. Por isso, gostaramos de tomar um aspecto da anlise das repercusses do esporte sobre as relaes de poder dessa vertente e analis-lo mais de perto. Tal aspecto diz respeito afinidade entre o esporte de alto rendimento e o trabalho industrial e a tese da alienao. Foi principalmente Rigauer 1S. Esses aspectos dominantes na sociedade capitalista industrial impregnam paulatinamente o esporte, principalmente o de rendimento.

Assim, Rigauer critica a concepo contrria por exemplo, de um dos idelogos do movimento esportivo internacional, Carl Diem , a partir da qual esporte e trabalho seriam dois sistemas de ao completamente distintos.

Rigauer procura demonstrar a afinidade dos dois sistemas de ao a partir dos seguintes aspectos: - paralelismo entre as medidas de racionalizao nos sistemas de ao do esporte de rendimento e do trabalho; - mtodos complexos de trabalho e treinamento; - a cientifizao do trabalho e do treinamento esportivo; - o refinado taylorismo do mundo do trabalho encontra um correspondente no treinamento do esporte de alto rendimento;.

Para, Rigauer o esporte desenvolve-se em interdependncia corn o processo social global, qu acaba determinando suas ca-. Vinnai ampliou a anlise de Rigauer, introduzindo elementos da psicanlise em sua abordagem: "o treinamento esportivo e seu princpio imanente do rendimento seguem o postulado econmico geral internalizado da produo da mais-valia capitalista.

Na prtica do esporte so compensados fracassos sociais e psquicos, no entanto, sob o ditado do princpio industrial do rendimento, que em sua. Rigauer , na poca, estudou Sociologia c Esporte cm Frankfurt, sendo seu livro, Esporte c Trabalho Sport und Arbctc , a monografia de concluso do curso de sociologia, tendo sido influenciado tanto por Adorno como por Habermas.

Alis, Habermas publicou, em , um ensaio que influenciou um grupo grande de trabalhos; trata-se do ensaio Anotaes Sociolgicas, sobre a relao entre trabalKo c tempo livre Habermas, J. Arbeic, Erkenntnis, Kortschritt. AufsUtze Amstcrdan, Nesse texto encontra-se a famosa frase: "Sob a aparncia do jogo c do livre desenvolvimento das foras o esporte duplica o mundo do trabalho". O que nos interessa neste contexto so as conseqncias que derivam da tese da afinidade.

Uma delas a de que no esporte de alto rendimento "a reduo da fora de trabalho forma abstrata e quantitativa de mercadoria implica uma coisificao concreta do agir humano" Rigauer, , p. No distante desta interpretao encontra-se ento a derivao lgica: se esporte de alto rendimento trabalho, e trabalho na sociedade capitalista trabalho alienado, ento alienao'9 tambm o que acontece no esporte de alto rendimento.

Segundo Helmer , p. Essa "acusao" foi rebatida principalmente pelo filsofo Hans Lenk. A argumentao de H. Lenk gira em torno da impossibilidade de eqivaler trabalho industrial e esporte de rendimento, pois no esporte o atleta teria a possibilidade de retirar-se dele, j que se trata de atividade voluntria e, acima de tudo, de reconhecer-se no seu produto, isto , identificar-se com sua atividade.

Lenk faz, na verdade, uma interpretao marcadamente psicolgica21 da teoria marxista da alienao, o que, por um lado, no faz juz a essa teoria, mas, por outro, indica tambm dificuldades a ela inerentes. Lenk prope ou julga no termos outra opo que no seja eleger o prprio indivduo como responsvel por suas aes - a autoridade moral s pode ser em ltima instncia o prprio indivduo.

Assim, se os indivduos dizem identificarem-se com sua atividade, isto o que precisa valer zz. Se a resposta est vinculada em ltima instncia a uma determinada concepo normativa de homem, como fundamentar racionalmente essa viso? Gomo superar a cilada conservadora da impossibilidade de fundamentar decises ticas, que presumivelmente seriam atribuies individuais?

Ver sumrio da contracrtica em Liischcn, G. Sociologia de! Lenk: sobre Ia crtica ai princpio dcl rcndmicnto cn cl deporte , c, mais recentemente, em "Die achtc Kunst", publicado em A respeito ver Helmer , p. Por outro lado, para Sevc , p. Assim, so criadas verdades relativas c ao mesmo tempo absolutas BrClhl, , p, 5. Dada a centralidade dessa questo no mbito dessa vertente da crtica ao esporte, vamos dedicar mais algum espao para sua discusso. Talvez seja preciso dizer desde logo que bem provvel que uma resposta, ou melhor, que o problema tenha muitas chances de no ter soluo, o que deslocaria nossa ateno para o entendimento de por que no podemos responder claramente essa questo.

Consideramos importante dispensar um pouco mais de nossa ateno a esse aspecto, porque ele central, tambm para a anlise da relao trabalho-lazer e nesse contexto o esporte como atividade de lazer e da tese, de orientao marxista ortodoxa, de que a funo bsica do esporte a reproduo da fora de trabalho.

Segundo o autor, o marxismo ao substituir a "autoconscincia" Hegel pelo "trabalho" acaba se manobrando em direo a uma aporia. Habermas indica algumas dificuldades do que ele chama "paradigma da produo" para fundamentar sua tese.

A categoria central em Marx neste caso trabalho. Marx concebe o trabalho como "a auto-realzao coletiva dos produtores" Habermas, , p. O produtor alienado do proveito de seu produto onde ele poderia se reencontrar, e assim, aliena-se de si prprio" idem, p.

Desta maneira, o circuito da prxis interrompido. Mas, o conceito de prxis tambm que precisa conter a "atividade crtico-revolucionria", isto ,.

Isso significa que a prxis emancipatria teria de emergir do prprio trabalho alienado idem, p. Ainda segundo Habermas , Marx fica aqui no plano da filosofia do sujeito ou da conscincia , que localiza a razo no na reflexo de quem conhece do sujeito que conhece , mas, sim, na racionalidade objetiva do sujeito que age.

Uma das conseqncias que o conceito de trabalho, assim como a racionalidade objetiva que existe em seu interior, ficou, no marxismo, ambguo. Assim, cincia e tcnica, que para Marx ainda possui claro potencial emancipatrio, aparecem em Lukcs, Bloch e Marcuse apenas como meios eficientes de represso social idem, p.

Habermas pergunta: "o que pode a filosofia da prxis opor a uma razo instrumental, a uma racionalidade tcnica que elevou-se totalidade social, se ela prpria, de forma materialista, precisa se entender como parte e resultado dessas relaes coisificadas - se a coao para a objetivao alcana o interior da razo crtica idem, p. Eis o impasse! Como lembra Freitag , p. Nos crculos conservadores, a anlise do processo de ampliao para todos os setores da razo instrumental levou concepo de que os "cidados do mundo moderno devem sua liberdade subjetiva abstrao das condies histricas de vida" Habermas, , p.

Cidados de dois mundos: pblico e privado. O excurso acima tinha tambm o objetivo de tentar mostrar que a chamada filosofia da prxis possui um componente tico, normativo - uma viso de como o homem deveria ser. Isto , trabalho alienado s recusado eticamente em funo do pressuposto do trabalho criativo, este possvel numa sociedade em que o trabalho alienado for superado e onde, ento, autorealizao, autodeterminao, autoconscincia, conceitos que definem a modernidade, seriam possveis.

A pergunta que surge : como eu fundamento tal concepo de homem, de sujeito? Ou no possvel ir alm de anunci-la, a exemplo das religies? Para os filsofos ps-modernos, elas deveriam ser abandonadas como todas as metanarrativas.

Como enfrentar a acusao conservadora de metafsica - tambm levantada por um autor que v nas instituies no o cerceio da liberdade mas a sua possibilidade, como Arnold Gehlen? Talvez seja ainda interessante ressaltar que aportamos num dos pontos centrais das teorias da socializao. Mais claramente, o reconhecer uma situao injusta no desemboca necessariamente na deciso de agir e, finalmente, na ao transformadora.

E nesse contexto que inscreve-se tambm a problemtica do conceito de "conscincia critica" Paulo Freire. No Congresso Brasileiro de Cin Brando centra tambm sua exposio sobre a necessidade de levar a efeito uma "ginstica afetiva do corpo" E, na verdade, um deslocamento da questo da criticidade como elemento cognitivo, eu diria, lgico-racional, para a criticidade como elemento afetivo, emocional, do mbito da sensibilidade, como algo radicado no "corpo".

Essa concepo encontramos tambm em Marcuse, para quem ns teramos "para alm de todos os valores, um fundamento impulsivo-psicolgico para a solidariedade entre os homens, uma solidariedade que em funo das necessidades da luta de classes foi eficazmente reprimida, e que agora surge como prcondio para a libertao" em Gesprache mit Marcuse, a.

Uma tal interpretao implica uma radicalizao do conceito de revoluo apud Marcuse, a, p. Se isso tudo pode ser interpretado como uma ampliao do conceito de criticidade de racionalidade , no temos objees, mas faltaria mostrar como, de que maneira se relacionam cognitividade e afetividade e, mais, em que momento a interao leva tomada de deciso para a prtica transformadora revolucionria.

No est aqui presente uma tentativa de fundamentar a razo critica na "natureza", uma fundamentao naturalista da razo crtica? Aqui tocamos numa vertente da crtica ao esporte como elemento de estabilizao do sistema, que se expressa resumidamente na tese da represso ou manipulao do corpo, que segundo entendo possui duas variantes principais: uma orientada na psicologia marxista por exemplo, de W.

Reich e em H. Marcuse, fortemente influenciados pela psicanlise , e outra, que oricnta-sc cm M. Foucault c tambm T. Habermas, como sabemos, est buscando desenvolver uma teoria ou um conceito de razo que possa integrar ou reintegrar a racionalidade cindida da modernidade, fundamentando o conceito de razo comunicativa, visando a superar os impasses da filosofia da conscincia, para tal a language-turn fundamental. Mais algumas reflexes cabem aqui.

Em seu livro O Que E Ideologia, Chau , buscando identificar a origem da ideologia, discute em determinado momento a questo da dialtica materialista: dialtica materialista porque o seu motor no o trabalho do esprito, mas o trabalho material propriamente dito: o trabalho como relao dos homens com a natureza, para negar as coisas naturais enquanto naturais, transformando-as em coisas humanizadas ou culturais, produtos do trabalho. Mas o que interessa realmente dialtica materialista no a simples relao dos homens com a natureza atravs pela mediao do trabalho.

O que interessa a diviso social do trabalho, e portanto, a relao entre os prprios homens atravs do trabalho dividido [ Seria no interior da prtica a gnese do momento revolucionrio e, portanto, qualitativo, do processo histrico? A postura de Chau estritamente epistemolgica, corno relao abstrata entre dois conceitos teoria e prtica que se relacionam genericamente para produzir o "saber real" sobre a histria.

Efetivamente, suprimida a ideologia dos dominados e tomada a teoria como mera revelao da objetividade, suprime-se igualmente, no mbito da reflexo, o antagonismo de interesses, as contradies de classe.

Política social de esporte e lazer no governo Lula:

Trata-se de L. Althusser, indiscutivelmente o pai do "estruturalismo marxista". P- Se a interpretao estruturalsta de certa forma elimina os sujeitos, ou negligencia o peso e a importncia histrica da subjetividade do sujeito , ou supra-individual, identificando a razo com a histria, em Marcuse a, p. Habermas, por sua vez, intersubjetiviza a possibilidade dessa verdade, e formula a teoria da razo comunicativa.

Genro Filho , escreveu um artigo intitulado "A ideologia de Marilena Chau", do qual transcrevo alguns trechos: J tnhamos visto: a teoria no muda a vida. Ela nega teoricamente a prtica, mostrando aos homens que foram suas prprias aes que produziram as condies que os submetem. A teoria indica, to somente, que foram os prprios homens que criaram as circunstncias que os faz pensar que no foram eles que produziram tais circunstncias. Logo, a teoria mostra aos homens que eles podem se quiserem, mud-las.

Mas isso s poder ser feito de modo prtico e revolucionariamente, Em que dimenso da conscincia social os homens tomam. Rouanet, um que o interlocutor faz referncia a uma conversa entre Habermas e Marcuse, quando este j se encontrava s portas da morte, em que Marcuse admitia que o fundamento normativo em que ele baseava sua teoria crtica era a compaixo pc o sofrimento dos outros. In: Rouanet, S. R e Maffesoli, M.

Moderno c posmodcrno. Um autor que tem se ocupado com a possibilidade de fundamentar racionalmente uma tica intersubjetivamente vlida K-O. Apel, ao qual apelarei para continuar a problematizar a questo. Para Apel, justamente o conceito de racionalidade que domina no interior da cincia analtica, no seu sentido de objetividade sem julgamento de valor, que coloca a impossibilidade de fundamentar racionalmente uma tica intersubjetivamente vlida, pois essa teria de submeter-se s seguintes premissas: a fundamento racional significa deduo lgico-formal de sentenas a partir de sentenas mais bsicas em um sistema de sentenas sinttica e semanticamente axiomatizadas; b validade intersubjetiva de sentenas afirmaes igual a validade objetiva no sentido de constatao no valorativa ou da deduo gico-formal; c a partir de tal verificao ou constatao de fatos no possvel com o auxlio da deduo lgica derivar nenhum julgamento de valor ou afirmao normativa Apel, ,p.

Apel , p. Ora, assim "nem a autonomia de uma assim chamada deciso livre pode ser garantida, se ela s pode ser a partir dela prpria fundamentada de forma privada; pois, o exclusivamente privado no somente o irracional, mas, tambm, a heteronomia no sentido de pura determinao causai" p. Algum socilogo ou poltico-social pode se dar por satisfeito com tal desmascaramento e sacrificar o lado liberal-existencialista do sistema complementar ocidental em favor de uma absolutizao da parte objetivo-cientfica.

Foi o caso de B. Ele substituiu, por assim dizer, a exigncia de responsabilidade solidria de uma comunidade de sujeitos autnomos, em funo da catstrofe mundial eminente, pela exigncia cie nti fieis t de um condicionamento responsvel do comportamento das massas atravs do cientista.

Skinner no entanto, no responde quem vai condicionar o condicionador, o cientista responsvel ou quem deveria condicion-lo. Apel, , p. Para Apel, portanto, a questo no negar ou tornar suprflua a liberdade e a responsabilidade dos homens como sujeitos do agir e, sim, no entend-la a liberdade no sentido da privacidade irracional e, assim, na prtica, deixar que ela seja arruinada na impotncia da privaticidade manipulvel e, mobiliz-la para uma potencial responsabilidade solidria Idem, p.

Qual a resposta que o marxismo deu ou pode dar para aquele que est frente a uma situao de deciso no cotidiana e que precisa responder pergunta: "o que devo fazer? Deciso no cotidiana entendida aqui como uma situao em que as normas institucionais e os. Farte dcss;i obra est traduzida para o portugus em Apel, K. Estudos de moral moderna. Pctrpolis: Vozes, Uma situao, portanto, que, em funo do sistema conflitivo de normas, o sujeito precisa decidir para si, ou no sentido de uma tica poltica para com uma comunidade, estabelecer o caminho futuro.

Segundo ainda Apel , p. Dentro de uma tal perspectiva que temos de buscar entender uma afirmao como a seguinte de J. Brohm b : "o esporte alienante; na sociedade comunista universal ele desaparecer" p.

A avaliao do contedo de verdade daquelas crticas ao esporte depender das posies de fundo que o leitor assumir. As reflexes que apresentamos pretenderam evidenciar alguns caminhos ou trilhas que a radicalizao da crtica pode percorrer. Segundo Honneth , p. Adorno, no entanto, via o controle total primeiro atravs da manipulao psquica pelos meios de comunicao de massa, isto , agncias da indstria cultural, enquanto Foucault via tal integrao scr.

Tambm o esporte moderno pode ser interpretado como instituio "disciplinadora" do corpo. Algumas tentativas nesse sentido j foram levadas a efeito. Em Dieguez , p. Com o investimento de todas as instncias do sistema, o corpo j no consegue mais ter linguagem prpria: ele no fala, falado.

Os bens que circulam so, antes de tudo, linguagem do poder, transmitida pelos mdia. Mas no apenas os meios de comunicao de massa atuam nesse campo: as universidades, com os seus saberes cientficos; os clubes, torcidas, tudo, assenhoreamento do corpo para torn-lo escravo. Quanto mais ns estivermos convencidos da possibilidade de fazer com o nosso corpo experincias verdadeiras, autnticas, tanto mais ns reforaremos o poder, que a estrutura pedaggica do poder sobre ns desenvolveu.

Quanto mais ns, neste processo, nos sentimos livres, tanto mais ns nos amarramos. Em Mller , encontramos as seguintes formulaes: "A tcnica, assim como ela encontra seu desfile triunfal no esporte, extremamente atual, est sempre no nvel atual da pesquisa sobre a manipulao e condicionamento dos corpos" p.

O uso instrumental do corpo bloqueia a possibilidade de perceb-lo adequadamente, promove o bloqueio do prprio corpo, que, assim, no pode ser escutado e percebido.

Somente em sua funo de objeto ele ainda considerado; se ele pode funcionar de forma eficiente e com bom rendimento. O corpo torna-se surdo, isto , ele foi calado, p.